7 bilhões de bocas são alimentadas diariamente e, a fonte desses alimentos, na sua grande maioria, é de origem animal. Animais que, por sua vez, também precisam ser alimentados diariamente.

“A produção de alimentos para consumo humano e animal é a atividade que mais utiliza recursos naturais como água, energia, minerais e solo”.

A fim de satisfazer essa demanda, a humanidade caminha em ritmo acelerado para extrapolar a capacidade do planeta se regenerar. O impacto disso é devastador: florestas, animais, rios e terra são consumidos para que haja espaço e capacidade de irrigação e adubação do solo das lavouras.

 

Por cada alimento que chega à nossa mesa, diversos são os recursos naturais utilizados, impactando e alterando, constantemente, a dinâmica da natureza. Estima-se que em quatro décadas seremos mais de 9 bilhões de habitantes no planeta.


“A Organização das Nações Unidas, mensurou que, para a agricultura e a alimentação, a pecuária teria de dispor de uma área 70% maior para dar conta da demanda”.


Diante desse cenário, com urgência e precisão, é necessário pensar em caminhos alternativos para a produção alimentícia. A boa notícia? Já está sendo feito!

Algumas empresas deste segmento, já possuem na sua linha de produção produtos com carne de origem vegetal, “plant based”.

Dados fornecidos pela Plant-Based Foods Association apontam que o consumo de carnes “plant based”,  aumentou 24% em 2018 enquanto as carnes tradicionais cresceram somente 2% no mesmo ano.

 

Os hambúrgueres de origem vegetal estão em alta. E quatro empresas merecem destaque:

  • Beyond Meat: Criada em 2013, é um dos grandes players do mercado. Conta com o apoio de grandes investidores, como Bill Gates. Seu hambúrguer, o “Beyond Burguer” é feito de proteínas de ervilha, arroz e feijão, óleo de canola, óleo de coco, manteiga de cacau, amido de batata, suco de limão e beterraba, entre outros ingredientes.

  • Impossible foods: Iniciou no vale do Silício em 2011. Desenvolveu o “Impossible burguer”, feito a base de proteínas de batata e soja, óleo de coco e girassol, metilcelulosa como ligante e “heme” para dar o aspecto de “sangue”. Este último é um dos ingredientes mais controversos. A gigantesca Burger King também quer deixar seu rastro “plant based” e, neste ano, fechou uma parceria com a Impossible foods para oferecer aqui no Brasil o Rebel Whopper, hambúrguer feito de vegetais.

  • Foodtech Fazenda Futuro: Dos mesmos criadores do Suco do Bem, a foodtech lançou o “Futuro burguer”, feito de proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão-de-bico. Na sua composição tem beterraba, que é a responsável por atribuir o visual tão próximo de carne malpassada. Atualmente é vendido em supermercados e lanchonetes.

  • The New Butchers: No final de setembro, a empresa brasileira, também entrou na corrida. “The New Burguer” é feito com ervilha, coco como fonte de gordura e o “sangue” de beterraba.

 

 

Como fica o lado nutricional?

Além de fazer um apelo para os impactos positivos no ambiente, as empresas enfatizam benefícios para a saúde. 

Sabemos que reduzir o consumo de proteínas de origem animal e aumentar o aporte de proteínas vegetais é de extrema relevância. Foi um dos pontos enfatizados na última edição do curso de Lifestyle Medicine da Harvard Medical School.

 


Mas será que a forma de consumir essas proteínas é através de hambúrguer?


 

As empresas citadas sustentam que seus hambúrgueres têm menos colesterol e gorduras saturadas do que as carnes. Destacam a relação do consumo de carne com o aumento da incidência de câncer, doenças cardíacas e maior risco de doenças de origem alimentar que podem ser provocadas por contaminantes nos matadouros.

De fato, os hambúrgueres veganos não têm colesterol, em comparação aos de carne, que contêm 80 mg de colesterol em 113g de carne. Além disso, eles oferecem mais ferro na sua composição (um nutriente que requer atenção em dietas vegetarianas), e outros micronutrientes. Algo que merece destaque, é o aporte aumentado de fibras, essenciais para nossa saúde.

Por outro lado, eles possuem muito mais sódio em sua composição e exigem um alto grau de processamento, o que vai contra a tendência mais “clean”, com menor quantidade de ingredientes, do momento atual. Esta é uma preocupação expressa pelos consumidores.

Comparamos as informações nutricionais fornecidas pelas empresas, na tabela abaixo:

113 g

Kcal

Carboidrato (g)

Proteína (g)

Gordura (g)

Gordura saturada (g)

Fibra (g)

Sódio (mg)

Impossible burguer

 

240

9

19

14

8

3

370

Futuro Burger

278

14

15,5

18,3

5,9

4

672

Beyond meat

266

5,3

18

19

4,4

2,6

380

Hamburguer de carne *

317

4,2

21

24,7g

7,2

1,8

657

*média de várias marcas brasileiras

De fato, não existem diferenças significativas entre os hambúrgueres “plant based” e os elaborados com carne tradicional. O aporte de proteínas, carboidratos, gorduras totais e gorduras saturadas é bem parecido.

Só a similaridade na quantidade de proteína já faz deles uma alternativa de fonte proteica bem interessante. Além disso, a menor quantidade de colesterol, o maior aporte de fibras e, em especial, o menor impacto ambiental, indicam um caminho bem atrativo.

 A recomendação nutricional mais importante é sempre o equilíbrio. Consumir hambúrguer diariamente não é uma orientação interessante. Os hambúrgueres plant based, se bem apresentam benefícios em comparação com o da carne, ainda têm um caminho a trilhar para melhorar sua composição nutricional. Porém, ter a alternativa de escolher um produto com sabor surpreendente e que cuide do ambiente, já é uma grande conquista.

Agora, só resta experimentar cada um… Quem sabe? Você pode se surpreender e uma coisa é certa!


Tanto futuras gerações quanto o planeta agradecem.


 

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