Estudo detecta substâncias químicas cancerígenas no leite materno de mulheres nos EUA

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos constatou que o leite materno de mulheres americanas está contaminado com altas incidências de PFAS, elementos químicos tóxicos, associados a incidência de câncer e várias outras doenças. Os PFAS foram detectados em todas as 50 amostras testadas, em níveis quase 2 mil vezes mais altos do que alguns defensores da saúde pública recomendam ser seguros para a saúde.

Os PFAS, ou substâncias per e polifluoroalquilo, são uma classe de cerca de 9 mil compostos usados em produtos como embalagens de alimentos, como de lanchonetes de fast food; roupas e carpetes resistentes à água e manchas. Eles são chamados de “substâncias químicas eternas”, porque não se decompõem naturalmente e se acumulam no organismo e são utilizados para a impermeabilização.

Entre os efeitos nocivos desses elementos químicos, estão a incidência de câncer, defeitos congênitos, doenças hepáticas e da tireoide, diminuição drástica na contagem de espermatozoides, e uma série de outros problemas graves de saúde. O estudo publicado no jornal Environmental Science and Technology, encontrou PFAS em níveis no leite materno que variam de 50 partes por trilhão (ppt) a mais de 1.850 ppt.

Não há padrões para PFAS no leite materno, mas a organização de defesa da saúde pública “Environmental Working Group” coloca sua meta de consultoria para água potável em 1ppt, e a Agência Federal de Registro de Substâncias Tóxicas e Doenças, que integra o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, recomenda em torno de 14ppt em água potável para crianças.

Os resultados apresentados vão contra a alegação da indústria química de que sua nova geração de PFAS não se acumula em humanos. Foram encontrados mais de 12 tipos de compostos, em cerca de metade das amostras, e 16 compostos no geral, incluindo vários que estão atualmente em uso.

Entre as medidas que se recomendam para mulheres grávidas e mães tomem para se protegerem estão: evitar embalagens de comida à prova de gordura, protetores de manchas, roupas impermeáveis que usam PFAS e produtos de cozinha com Teflon ou propriedades antiaderentes semelhantes, embora os fabricantes muitas vezes não divulguem o uso dos produtos químicos.

Fonte: O Globo

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