Produção de suplementos a partir de resíduos do processamento da tilápia como uma alternativa para evitar problemas ambientais

O resíduo da filetagem de tilápia vermelha, que representa 70% do peixe, é descartado pelas indústrias de pescado na natureza e representa um problema ambiental. Uma pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, produziram peptonas, substrato de bactérias que produzem aminoácidos e vitaminas para suplementos alimentares. A papaína, enzima extraída do mamão, aumentou a eficiência das peptonas, o que estimulou um maior crescimento dos micro-organismos. Um diferencial em comparação com as peptonas comercializadas.

“As peptonas são utilizadas em diversos tipos de bioprocessos”, relata Juliana Antunes Galvão, coordenadora do Grupo de Estudo e Extensão em Inovação Tecnológica e Qualidade de Pescado (Getep) do Laboratório de Pescado do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq, “servindo de meio de cultivo em análises microbiológicas e também como substrato de crescimento em escala industrial, para bactérias e leveduras na síntese de produtos de valor agregado como aminoácidos, proteínas e vitaminas usadas em suplementos alimentares”. “O fornecimento de peptonas a partir de resíduos agrega valor a um produto que seria descartado no meio ambiente, minimizando a poluição, e poderá resultar em menores custos industriais”, acrescenta Juliana.

Esse estudo faz parte da dissertação de mestrado de Elizângela Falcão do Vale Nepomuceno, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia dos Alimentos da Esalq, e teve apoio da indústria Prozyn, que forneceu as enzimas, e da Piscicultura Cristalina, empresa que produz e processa pescado, que cedeu os resíduos, essa cooperação demonstra a importância do trabalho de uma equipe multidisciplinar e da interação entre indústria e universidade com foco em pesquisa, passível de ser aplicado pela indústria, colaborando com a sustentabilidade e rentabilidade da cadeia produtiva do pescado.

Fonte: Jornal da USP, Juliana Galvão ([email protected])

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