A longevidade humana começa com a do planeta!

Estilo de vida e impactos ambientais

Hoje, 22 de abril, é o Dia da Terra, é uma data reservada para ressaltar a importância da consciência coletiva para a preservação do meio ambiente, por meio de ações sustentáveis. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, entre 2030 e 2050, aproximadamente 250 mil pessoas poderão morrer devido às mudanças climáticas. Estas que serão resultado do atual método de produção de alimentos, do consumo inconsciente de água doce e de outros recursos naturais, somado ao excesso de poluição gerado pelo estilo de vida humano, colocando em risco a sua própria longevidade.

A sustentabilidade deve estar em todos os lugares!

Um mundo sustentável começa com ações cotidianas, na preocupação do consumo consciente e da adoção de medidas que colaboram para qualidade da saúde individual e do mundo. Observa-se uma crescente tendência do consumidor moderno em adotar um estilo de vida mais sustentável em seu cotidiano. E essas mudanças acontecem em diferentes setores, como alimentação, vestuário, embalagens e cosméticos, sendo inclusive uma preocupação das empresas: segundo uma pesquisa da Euromonitor (2020), 73% dos profissionais entrevistados acreditavam que as iniciativas de sustentabilidade eram essenciais para o sucesso.

A mesma pesquisa relatou que antes da pandemia do COVID-19, os consumidores tinham como prioridade, o menor uso de plástico e, logo em seguida, as mudanças climáticas, o que mudou um pouco depois da pandemia, onde as prioridades estavam relacionadas com o bem-estar e a saúde. Ainda, a pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira – Consumo Consciente”, feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), ressalta que o brasileiro está se tornando um consumidor mais consciente, prestando maior atenção nos impactos da produção de alimentos: das 2 mil pessoas entrevistadas, em 126 municípios, 38% sempre verificam ou verificam às vezes se os produtos que comprarão foram produzidos de forma ambientalmente correta.

E qual o seu papel, nutricionista? Vamos falar do novo raciocínio clínico?

Neste contexto, pensando na integração entre a saúde humana e a do planeta, é que se evidencia a importância do papel do nutricionista, com um novo raciocínio clínico que leve em consideração a sustentabilidade nutricional: ou seja, a preocupação com a origem do alimento até a bioacessibilidade pelo corpo, visando o cuidado integrado do paciente e do planeta. E por que se preocupar com a alimentação sustentável? Como ela pode se aplicar a sua conduta clínica?

É importante compreender que não há biocapacidade da Terra atender as demandas de consumo alimentar da sociedade, através método atual e convencional de cultivo e de produção de alimentos que garante a produtividade em larga escala, a longo prazo, já que gera impactos expressivos no ecossistema, com grandes pegadas hídrica e de carbono, além do esgotamento do solo e desmatamento, impactando na biodiversidade. E nesse sentido, quanto menor a biodiversidade maior a perda da variedade de sua microbiota, levando à disbiose e, consequentemente, causando alterações imunológicas e o aumento do risco de doenças. E, além disso, o esgotamento dos recursos naturais, gerando o esgotamento da sua fonte de alimento, de vida!

Assim, segundo um relatório publicado no periódico The Lancet, pela EAT-Lancet Commission, pensar um uma alimentação voltada para a longevidade humana e do planeta, é sinônimo de preconizar a redução do desperdício de alimentos e uma alimentação plant-based, que pode, ocasionalmente, incluir modestas quantidades de peixes, carnes e laticínios, porém, não sendo estes a base do cardápio do seu paciente.

Esse tipo de alimentação teria o potencial de reduzir 65% as emissões de gases de efeito estufa até 2050, com a redução de 50% da produção e consumo de alimentos de origem animal, além de favorecer a proteção dos recursos naturais e melhorar a saúde e segurança alimentar.

Ainda, é de suma importância priorizar os alimentos orgânicos, de pequenos produtores e, inclusive, instigar a variação do cardápio, influenciando, inclusive, o consumo das plantas alimentícias não convencionais (PANC).

O nutricionista tem um papel fundamental no cuidado do meio ambiente, sendo um agente de mudanças profundas e importantes na vida do seu paciente, visando a longevidade humana e planetária.

Fontes:

PLANETARY HEALTH ALLIANCE. Disponível em: https://www.planetaryhealthalliance.org/planetary-health Acesso em 29 mar. 2021.

PASCHOAL, V. Nutrição Funcional & Alimentos Brasileiros: Um Caminho para a Longevidade. São Paulo: Valéria Paschoal Editora Ltda., 2019.

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA. Retratos da Sociedade Brasileira – Consumo Consciente. Disponível em: https://noticias.portaldaindustria.com.br/noticias/infografia/o-brasileiro-e-um-consumidor-consciente/# Acesso em 29 mar. 2021.

SPRINGMANN, M. et al. Health and nutritional aspects of sustainable diet strategies and their association with environmental impacts: a global modelling analysis with country-level detail. Lancet Planet Health. 2018 Oct;2(10):e451-e461.

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