Aumento do preço nos mercados muda hábitos de consumo do brasileiro

Itens básicos e comumente encontrados na mesa do brasileiro apresentaram aumento expressivo no último ano, afirma o índice Abrasmercado. Ao analisar 35 categorias mais vendidas no setor, a cesta de compras ficou 25% mais cara em de 2020 a 2021, enquanto, ao mesmo tempo, o poder de compra do brasileiro diminuiu, gerando uma mudança nos hábitos de consumo do brasileiro

Em estudo da Bain & Company, com dois mil brasileiros, 25% dos consumidores já migravam para produtos mais baratos e 18% optavam por tamanhos com custo mais acessível. Nesse processo estão as escolhas de marcas de menor preço, embalagens mais econômicas e itens de marca própria. Para o analista da Bain & Company, Ricardo Carli, o movimento era esperado.

“Esse movimento não é novo nem exclusivo do Brasil, mas acelerou com a pandemia, porque a Covid-19 apertou os bolsos. Na América Latina, 70% esperavam ter redução da renda”, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico.

Ressalta-se o momento em que a consultoria foi feita, durante o período do auxílio emergencial disponibilizado pelo governo do país. Hoje, sem a ajuda, a tendência é de que o movimento seja reforçado e continue a crescer e ficar cada vez mais comum. Diretora de contas da Kantar, Tathiane Frezarin acredita nesse processo. “As pessoas devem voltar para um consumo mais básico. A expectativa é de que volte aos patamares de 2019”, afirma Tathiane.

O crescimento das marcas próprias

Com o aumento dos preços nos supermercados e diminuição da renda, os brasileiros buscaram cada vez mais marcas próprias e produtos mais baratos. O gasto médio das classes D e E, onde 72% receberam auxílio, cresceu 9% e 14% no primeiro e no segundo trimestres de 2020, em relação a 2019. Enquanto isso, no terceiro e quarto trimestres, ficou em 8% e 6%. Um dos motivos pode ser a queda do auxílio para R$300.

“O auxílio permitiu que as pessoas tivessem acesso a categorias de preço médio maior, mas o crescimento foi em valor e não em volume. Já a marca própria acabou sendo um meio de acesso a algumas categorias no momento de dificuldade”, avalia Thatiane. Esses itens fizeram parte das compras das classes A e B, também, mesmo sendo pouco ou quase nada beneficiadas pelo programa do governo.

Fonte: Valor Econômico e SA Varejo

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui