Alimentos processados são vilões da nutrição?

Conforme estudo realizado com nutricionistas britânicos, nem todos os alimentos processados devem ser encarados como vilões da alimentação.

Colocando em uma esteira alimentos como: feijão enlatado, iogurte de frutas desnatado, sorvete, pão de forma, molhos prontos para massas e cereais matinais com adição de açúcar, existe um ponto em comum entre todos, o fato de serem classificados como alimentos ultraprocessados conforme a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) [inserir hiperlink http://www.fao.org/3/ca5644en/ca5644en.pdf], que define os alimentos ultraprocessados como aqueles que são produzidos por processamento industrial e que, muitas vezes, contêm aditivos como corantes, saborizantes, emulsificantes e conservantes.

Contudo, uma campanha da British Nutrition Foundation, adverte que muitos alimentos saudáveis passam a ser injustamente classificados nesta esteira de ultraprocessados e entrando na mesma cesta de “prejuízos” que são relacionados a este tipo de produto. A fundação de nutricionistas deseja transmitir aos consumidores a mensagem de que, embora o alto consumo de uma grande quantidade de itens ultraprocessados – como refrigerantes e cereais açucarados, com altos níveis de sódio, açúcares e gordura – pode desencadear maior risco de desenvolver doenças, o termo “ultraprocessados” pode, também, incluir itens que são parte útil de uma dieta saudável e equilibrada.

Em pesquisa da fundação, realizada pelo YouGov, constatou-se que as pessoas têm dificuldade de diferenciar os alimentos que são classificados como ultraprocessados e processados. De forma de 21% dos entrevistados disse que uma dieta saudável e balanceada não deveria incluir nenhum alimento ultraprocessado. Entretanto, a pesquisa revelou a falta de entendimento sobre quais alimentos se incluem nesta definição.

Ao receberem uma lista de alimentos e serem questionados sobre quais dessa lista seriam classificados como ultraprocessados, apenas 8% dos entrevistados selecionaram o feijão cozido em lata, apenas 9% selecionaram iogurtes de frutas com baixo teor de gorduras, 12% selecionaram sorvetes, 19% selecionaram pão de forma, 26% selecionaram molhos prontos para massas e 28% selecionaram cereais matinais com adição de açúcar.

Seus pacientes sabem o que são ultraprocessados?
Sara Stanner, diretora científica da British Nutrition Foundation explica que “Há uma quantidade crescente de pesquisas sobre alimentos ultraprocessados e saúde e o termo está sendo utilizado mais do que nunca. Mas, a maioria das pessoas ainda não ouviu falar do termo e não tem clareza sobre o que ele inclui. Muitos alimentos que seriam classificados como ultraprocessados podem não ser reconhecidos como tal e, embora muitos alimentos ultraprocessados não sejam opções saudáveis, nem sempre é esse o caso. Além de itens menos saudáveis, como batatas fritas, bolos, doces, chocolate e bebidas açucaradas, que muitos de nós precisamos reduzir, os alimentos ultraprocessados podem incluir pão integral fatiado e molhos para massa à base de vegetais que podem ser uma parte útil de uma dieta saudável e equilibrada”.

Segundo a pesquisa da fundação, quase 70% dos entrevistados concordaram com a afirmação de que é melhor cozinhar do zero do que fazer uso de alimentos ultraprocessados. Outros 53% concordaram que uma dieta saudável pode incluir alguns alimentos processados, 49% disseram que os alimentos ultraprocessados podem ser convenientes e ajudam a economizar tempo e 26% concordaram que não é possível cozinhar todas as refeições do zero.

“Pode haver uma atitude muito crítica em relação aos alimentos processados, implicando que você não pode comer bem se sua dieta não for inteiramente composta por ‘comida de verdade’ preparada do zero. Mas a maioria dos alimentos que comemos é processada de alguma forma e os alimentos processados ajudam muitos de nós a preparar as refeições dentro do tempo e orçamento limitados que temos. E só porque algo é caseiro, não significa necessariamente que seja uma opção saudável – as receitas variam muito desde as muito saudáveis até as indulgentes. O que deve realmente preocupar é quão saudável um alimento realmente é, em geral, e o equilíbrio da dieta como um todo”, sintetiza Sara.

Alimentos processados têm benefícios?
A British Nutrition Foundation afirma que sim e que são muitos, pois grande parte dos alimentos consumidos atualmente em todo o mundo são, em algum nível, processados a fim de se tornarem cosmetíveis, mais seguros, mais duráveis, mais convenientes e até mesmo mais nutritivos. Ao passo em que técnicas de processamento de alimentos utilizadas pela indústria e em casa – como fervura, fermentação, salga, congelamento, enlatamento, panificação, etc. – são utilizadas há milhares de anos.

A fundação também menciona que os alimentos processados não devem ser vilanizados e responsabilizados, inteiramente, por problemas relacionados a estilos de vida cada vez mais sedentários. O ambiente moderno encoraja as pessoas, como um todo, a comerem mais do que precisam e isso, por si só, pode estimular o ganho de peso. Portanto, não se trata de alimentos em si, mas sim, de reduzir o consumo de alimentos ricos em ingredientes como gorduras, açúcar e sódio, dos quais, muitos são ultraprocessados.

“Alguns alimentos ultraprocessados como doces, salgadinhos, bolos e bebidas açucaradas, já são reconhecidos pelos profissionais de nutrição como alimentos a limitar, mas isso não significa que todos os alimentos processados devem ser demonizados. Analisar os rótulos dos alimentos, em particular para o teor de açúcar, sal e gordura saturada, pode ser valioso para nos ajudar a fazer escolhas mais saudáveis. Além disso, precisamos encorajar os fabricantes de alimentos para a produção de alimentos que são saudáveis, garantindo que as escolhas alimentares mais saudáveis são mais fáceis, mais convenientes e acessíveis para o preparo”, finaliza Sara.

Fonte: Food Navigator

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui