5 estratégias nutricionais para modular a fibromialgia

Woman feeling exhausted and suffering from neck pain. Health-care concept

O Fevereiro Roxo surgiu em 2014, na cidade de Uberlândia, em Minas Gerais, e, devido à sua importância, tornou-se uma campanha nacional. É um mês dedicado à conscientização da atenção ao diagnóstico e ao cuidado de doenças crônicas e sem cura com alta prevalência na população: fibromialgia, lúpus e Alzheimer. Apesar de não haver uma resolução definitiva para tais condições, a identificação precoce, assim como o tratamento, é fundamental para propiciar a boa qualidade de vida dos pacientes.

Fibromialgia: epidemiologia, diagnóstico e fisiopatologia

A fibromialgia (FM) é uma síndrome multifatorial complexa caracterizada por dor crônica generalizada e diversos tipos de manifestações, incluindo fadiga, rigidez articular, distúrbios do sono, depressão, ansiedade, distúrbios gastrointestinais e cognitivos. É reconhecida como uma das condições de dor crônica mais comuns, podendo ocorrer em qualquer idade, com prevalência de 2 a 8% na população adulta em geral, e é mais comum em mulheres do que em homens. Atualmente são considerados, para o diagnóstico, os critérios de classificação elaborados pelo American College of Rheumatology (ACR), concebidos pela primeira vez em 1990 e com três revisões; em 2010, 2011 e 2016.

De etiologia ainda desconhecida, sua fisiopatologia também não é bem definida, havendo evidências que suportam a hipótese de que a FM tem alterações na função do sistema nervoso central, assim, levando a um aumento do processamento nociceptivo. Ainda, há evidências recentes que sugerem uma inflamação sistêmica de baixo grau, um aumento do status pró-oxidativo e uma capacidade antioxidante insuficiente, assim, propiciando a redução do limiar de dor e induzindo fadiga e transtornos de humor.

Estratégias nutricionais para auxiliar no tratamento da fibromialgia

1- Melhorar a qualidade do sono: a fibromialgia caracteriza-se com alterações nas fases 3 e 4 do sono não-REM, impactando na secreção de GH, hormônio que se associa com a recuperação das fibras musculares, o que pode impactar ainda mais na dor do paciente. Além disso, há outros mecanismos associados com a relação entre sono e dor crônica, como alterações no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal e sistema melatonina pineal (CLIMENT-SANZ et al., 2020). Dessa forma, incluir estratégias de higiene do sono, aumentar o aporte de l-triptofano na alimentação junto aos outros cofatores para a síntese de serotonina, como as vitaminas C, B1, B2, B3, B6, B9 e magnésio são fundamentais, além de incluir alimentos fontes de serotonina, como o kiwi, a banana-prata verde, o tomate, o abacaxi, entre outros.

2- Suplementação de coenzima Q10: estudos apontam a presença de disfunção, estresse oxidativo e concentrações significantemente reduzidas de coenzima Q10 mitocondrial em pacientes com FM, parâmetros que se associam com os sintomas desta doença. A suplementação com este composto é eficaz na melhora destes marcadores e sintomas (LOWRY et al., 2020).

3- Reduzir a exposição a aditivos alimentares: alguns autores apontam que corantes alimentícios, glutamato monossódico e aspartame podem desencadear sintomas da FM, já que potencialmente agem como excitotoxinas, podendo, em excesso, ser neurotóxicas. Dessa forma, a exclusão destes pode auxiliar na melhora dos sintomas da FM (PAGLIAI et al., 2020; AGUILAR-AGUILAR et al., 2020).

4- Dieta de baixo FODMAPs: Erdrich et al. (2020) conduziram uma revisão sistemática em que demonstraram que pacientes com diagnóstico de FM tinham uma alta prevalência de Síndrome do Intestino Irritável (SII) do tipo mista ou com maior prevalência de constipação. Assim, uma dieta com baixo teor de FODMAPs, como lactose, frutose livre, polióis, fructanos e galacto-oligossacarídeos, além de glúten, demonstra benefícios na redução dos sintomas da SII e da FM, principalmente, na amenização das dores (PAGLIAI et al., 2020; LOWRY et al., 2020).

5- Adequar os níveis de vitamina D e magnésio: o impacto da deficiência de vitamina D é amplamente abordado na FM, sendo que este nutriente está relacionado a várias vias de modulação da dor e regulação do ciclo sono-vigília, associando-se à patogênese da FM, assim, devendo sua concentração sérica ser avaliada e, caso haja necessidade, seria interessante suplementá-la. Da mesma forma, é importante se atentar à possível deficiência de magnésio, a qual está associada com inflamação crônica de baixo grau, privação de sono crônica e parestesia, que estão presentes na FM, sendo que a literatura científica aponta que a suplementação com este nutriente associado ao ácido málico, em longo prazo, promove melhora dos sintomas desta doença (PAGLIAI et al., 2020; AGUILAR-AGUILAR et al., 2020; LOWRY et al., 2020).

O nutricionista tem papel fundamental no tratamento da FM, pois contribui para a restauração da qualidade de vida e do bem-estar dos pacientes.

Fonte: E4 Nutrition

REFERÊNCIAS

LOWRY, E. et al. Dietary Interventions in the Management of Fibromyalgia: A Systematic Review and Best-Evidence Synthesis. Nutrients, v.12, n.9, p.2664, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32878326/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

BRIGUGLIO M. et al. Dietary Neurotransmitters: A Narrative Review on Current Knowledge. Nutrients, v.10, n.5, p.591, 2018. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29748506/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

PAGLIAI, G. et al. Nutritional Interventions in the Management of Fibromyalgia Syndrome. Nutrients, v.12, n.9, p.2525, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32825400/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

AGUILAR-AGUILAR, E. et al. Food Implications in Central Sensitization Syndromes. J Clin Med., v.9, n.12,p.4106,2020. . Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33352747/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

MAFFEI, M. E. Fibromyalgia: Recent Advances in Diagnosis, Classification, Pharmacotherapy and Alternative Remedies. Int J Mol Sci, v.21, n.21,p.7877,2020. Disponível em: <https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33114203/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

ERDRICH, S. et al. A systematic review of the association between fibromyalgia and functional gastrointestinal disorders. Therap Adv Gastroenterol. v.13, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33343707/ > Acesso em 22 dez. de 2020.

PASCHOAL, V.; NAVES, A.; FONSECA, A.B.B.L. Nutrição Clínica Funcional: Dos Princípios à Prática Clínica. 2. ed. São Paulo: Valéria Paschoal, 2014.

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