Nutricionistas são profissionais da saúde e importantes na linha de frente no combate à Covid-19

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A nutrição é um dos pilares fundamentais para a recuperação de pacientes hospitalares, inclusive em relação à pandemia da Covid-19, o que torna o nutricionista um profissional da linha de frente sim.

A alimentação repercute na melhora do bem-estar, promovendo o fortalecimento do organismo e auxiliando na eficiência do sistema imunológico. Em relação à Covid-19, uma doença que pode causar graves sequelas e até levar à morte, a alimentação adequada e saudável pode fazer toda a diferença, promovendo ao organismo os recursos para combater o vírus. Neste momento, reafirma-se a importância do papel do nutricionista como profissional habilitado para prescrever dietas.

Exemplo disso foi o caso de Eli Souza Rolim, de 76 anos e que esteve internado no Hospital das Clínicas de Curitiba, com Covid-19, no final de 2020. O paciente afirma que a alimentação foi um dos fatores centrais em sua recuperação. “Cuidar da minha alimentação foi fundamental. Senti uma melhora significativa quando estava sendo acompanhado por uma nutricionista, pois uma alimentação adequada, saudável, nutritiva é a base da nossa saúde”, diz.

Comenta, ainda, ter guardado todos os selihos que vinham com as refeições, pois, segundo Eli, a alimentação vinha acompanhada de afeto. “Eram de 4 a 5 refeições diárias, todas elas muito completas, arroz, feijão, alguma carne ou peixe, legumes e saladas. A comida era boa, eu sentia o afeto nela. Também tinha a equipe, eram muito unidos e conversavam muito conosco. Essa atenção foi fundamental no tratamento”.

O nutricionista na linha de frente
Caroline Louise Benvenutti Hoffmann, nutricionista que atende na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital do Trabalhador, também em Curitiva, foi a primeira nutricionista do Paraná a ser vacinada contra a Covid-19. Conforme a profissional, o último ano foi desafiador, “Precisei rever a forma de prescrever para os pacientes, tanto em pacientes com dieta via oral, quanto em pacientes com nutrição enteral. Precisamos reduzir o volume da dieta ofertada, pois é muito comum os pacientes ficarem pronados (de bruços) por longos períodos. Também nos deparamos com alteração importante de paladar e olfato e grande desconforto respiratório. Antes do Covid, a restrição de volume existia, mas não era para um número tão grande de pacientes”, conta.

A profissional acrescenta que o papel do nutricionista é fundamental para a reabilitação dos pacientes. “Apesar do nosso esforço extremo na UTI, não conseguimos frear o catabolismo proteico e os pacientes saem com fraqueza importante. As horas mais difíceis desde o início da pandemia foram as perdas de pacientes jovens, o nervosismo das famílias e a minha distância dos meus familiares, pois não posso expô-los”.

Como primeira nutricionista paranaense a tomar a vacina, Caroline sente-se esperançosa e exalta a importância da ciência. “Enxergamos uma luz no fim do túnel. Para mim é uma honra representar a nossa classe nesta vacinação simbólica do dia 18/01, meu sentimento é de gratidão a Deus e à Ciência, que está tendo o lugar de destaque que sempre mereceu. Ter sido vacinada como nutricionista da linha de frente também mostrou que a nossa profissão é essencial! Só tenho a agradecer pelo reconhecimento da nossa profissão, porém sinto que é preciso destacar mais nutricionistas e outras classes assistenciais que atuam agora na linha de frente, e já atuavam antes da pandemia, como fisioterapia, psicologia, fonoaudiologia, tão poucas vezes citadas. A percepção é que quando mencionam a dificuldade de abertura de novos leitos de UTI, falam mais da ausência de médicos e enfermeiros”.

Nutricionista intensivista e a regulamentação da atuação
Em agosto de 2020, o Conselho Federal de Nutricionistas (CFN), publicou a resolução nº663, regulamentando as atribuições do nutricionista para prestar assistência adequada aos pacientes em ambiente de UTI. Para Alexsandro Wosniaki, presidente do Conselho Regional de Nutricionistas da 8ª Região (CRN-8), o papel do nutricionista intensivista é fundamental para a recuperação de pacientes de Covid-19 e poder contar com protocolos e legislação específica, assegura a integridade tanto do profissional quanto do paciente.

“Até então o profissional não tinha parâmetros e nem amparo legal para sua atuação, com a Resolução, as atividades obrigatórias estão descritas, tais como estabelecer e executar protocolos técnicos do serviço, de acordo com a legislação vigente e as diretrizes atuais relacionadas à assistência nutricional”, aponta Wosniaki.

A resolução determina, também, atividades complementar e oferece parâmetros para assegurar a qualidade do serviço prestado à saúde e à recuperação do estado nutricional do paciente, bem como estabelece o critério mínimo de referência, isto é, quantos nutricionistas a unidade deve ter por leito de UTI.

Fonte: CRN-8

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