Crescimento infantil e a microbiota intestinal bacteriana e fúngica (2020)

Portrait of a cheerful young girl

Autores: Shei K. et al. 

Revista: Frontiers in Pediatric 

Introdução 

O crescimento infantil é um sinal importante do desenvolvimento humano saudável, o qual inclui diversas fases, como a fetal, primeira e segunda infância, e a puberdade. Cada fase de crescimento é influenciada por fatores genéticos, nutricionais e ambientais; e mais recentemente, a microbiota intestinal também demonstrou exercer importante influência. 

A microbiota intestinal é a comunidade microbiana que habita de forma simbiótica no trato gastrointestinal, composta por bactérias e fungos. Os diferentes padrões de microbiota no início da vida já foram associados com a obesidade infantil, velocidade de crescimento e com o ganho de peso. No entanto, o papel da mesma no crescimento e desenvolvimento humano permanece inexplorado. O objetivo do estudo foi avaliar as associações entre a microbiota intestinal bacteriana e fúngica com o crescimento, avaliando parâmetros de altura e IMC, em uma coorte longitudinal com crianças. 

Métodos 

Em uma coorte de base populacional, uma amostra randomizada de 415 mulheres grávidas beberam leite com ou sem probióticos durante e após a gravidez. As amostras de fezes dos filhos, de 278 dessas mães, foram analisadas em quatro momentos entre o período de 0 a 2 anos de idade; e as medidas antropométricas entre 0 e 9 anos de idade. Características maternas também foram consideradas na análise, como a idade gestacional, educação materna e a prática de aleitamento materno. Foi considerado também a realização de tratamento com antibióticos nas crianças avaliadas. 

Resultados e discussão 

A composição fúngica e bacteriana da microbiota, em diferentes idades, foi demonstrada no estudo por meio de figuras e gráficos. Houve diferença na proporcionalidade da composição ao longo dos anos, indicando uma mudança de acordo com a idade e crescimento. Há necessidade futura de avaliar essa variação, frente a exposição de diversos fatores durante o crescimento e desenvolvimento infantil. 

Não foram encontradas associações entre a proporção fúngica, bacteriana, ou a diversidade bacteriana, nas fezes coletadas entre as crianças com os seguintes fatores: tipo de parto, tratamento com antibióticos, ou duração do aleitamento materno. Encontrou-se associação entre grande abundância fúngica na microbiota intestinal aos 2 anos com o maior crescimento em estatura, para crianças de 2 a 9 anos. Também foi observado associação entre a grande abundância fúngica, bacteriana, e diversidade bacteriana ao 1 ano com menor IMC, no primeiro ano de vida. Em contraste com outros estudos, nessa análise não foi encontrada associação entre o uso de antibióticos e o crescimento infantil. 

Conclusão Durante o acompanhamento de nove anos, de crianças saudáveis, o aumento da proporção fúngica na microbiota foi mais associado com alterações na antropometria infantil (aumento da velocidade de crescimento e redução do IMC), do que com a bacteriana e sua diversidade (redução do IMC). Sendo esse o primeiro estudo a associar a microbiota intestinal com o crescimento infantil, há reconhecimento da necessidade de mais estudos abordando essa temática. 

 Conflitos de interesse 

Os autores declaram não haver conflito de interesse. 

Acesso o estudo na íntegra. 
 

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