Pesquisadores da USP descobrem que a melatonina produzida no pulmão atua como uma barreira contra o SARS-CoV-2

A melatonina produzida nos pulmões atua como uma proteção contra a infecção pelo SARS-CoV-2 no trato respiratório, impedindo que o patógeno entre no epitélio, que o sistema imunológico seja ativado e que sejam produzidos anticorpos. Ainda, estima-se que a ação desse hormônio também ocorra contra outros vírus causadores de infecções respiratórias. A descoberta, realizada por um projeto apoiado pela FAPESP e realizador por um grupo de pesquisadores coordenados pela professora do Instituto de Biociências (IB), Regina Pekelmann Markus, da Universidade de São Paulo (USP) e os resultados do trabalham foram publicados na revista Melatonin Research.

O achado dos pesquisadores ajuda a entender por que há pessoas que não foram infectadas ou que estão com o vírus, detectado por teste do tipo RT-PCR, e não apresentam sintomas de COVID-19. Além disso, também abre a perspectiva de uso via nasal (em gotas ou na forma de aerossol) para impedir a evolução da doença em pacientes pré-sintomáticos. Mas, para comprovar a eficácia terapêutica do hormônio contra o novo coronavírus, há necessidade de conduzir estudos pré-clínicos e clínicos.

É importante salientar que outros estudos da literatura científica atual também apontam o possível papel terapêutico deste hormônio, como o de Ho et al. (2021), já que apresenta ação imunomoduladora, inclusive com efeito protetor aos pulmões e pessoas com mais de 60 anos, homens e indivíduos diversas comorbidades, os quais são mais susceptíveis à COVID-19, tendem a ter menos melatonina circulante

Por dentro do estudo publicado

Os autores investigaram a expressão de genes relevantes para a invasão e infecção do novo coronavírus varia de acordo com um índice gênico que estima a capacidade do pulmão de sintetizar melatonina, o índice MEL. Foram analisados 455 genes relacionados ao novo coronavírus, de 288 pulmões humanos (GTEX, UCSD) correlacionando com o índice MEL pelo teste de correlação de Pearson, análise de enriquecimento de conjunto de genes e ferramenta de rede que integra a conectividade entre os genes mais expressos, permitindo a comparação do mesmo conjunto de genes em diferentes estados. Os três procedimentos independentes apontam para uma correlação negativa entre o índice MEL e a infecção por SARS-CoV-2.

Além disso, o índice MEL também se correlaciona negativamente com os genes que codificam as proteínas do complexo receptor multi-molecular CD147, também se correlacionou negativamente com os genes que modificam as proteínas do receptor celular CD147, que é uma porta de entrada em macrófagos e outras células do sistema imunológico, indicando que a produção normal de melatonina do pulmão pode ser relevante para lidar com a invasão do vírus.

Assim, a perspectiva de que a melatonina do pulmão e do trato respiratório poderia ser um fator de proteção natural abre novas perspectivas epidemiológicas e farmacológicas, uma vez que altos escores do Índice MEL podem ser preditivos de portadores assintomáticos, e a melatonina administrada por via nasal pode prevenir a evolução de portadores pré-sintomáticos. Ainda, há ideia de utilizar o índice de melatonina pulmonar como um biomarcador de prognóstico para detectar portadores assintomáticos do SARS-CoV-2.

Você pode acessar o estudo recém publicado aqui.

REFERÊNCIAS:

FAPESP. Melatonina produzida no pulmão impede infecção pelo novo coronavírus. Disponível em: <https://agencia.fapesp.br/melatonina-produzida-no-pulmao-impede-infeccao-pelo-novo-coronavirus/34959/> Acesso em 11 jan. de 2021.

HO, P. et al.Perspective Adjunctive Therapies for COVID-19: Beyond Antiviral Therapy.  Int J Med Sci., 18(2):314-324, 2021. Disponível em: <https://www.medsci.org/v18p0314.htm> Acesso em 11 jan. de 2021.

FERNANDES, P. A. et al. Melatonin-Index as a biomarker for predicting the distribution of presymptomatic and asymptomatic SARS-CoV-2 carriers. Melatonin Research, v.4,n.1,2020. Disponível em: <https://www.melatonin-research.net/index.php/MR/article/view/109> Acesso em 11 jan. de 2021.

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