A pesquisa inédita foi encomendada a fim de entender a evolução do mercado plant based, sobretudo em relação ao consumo de proteínas alternativas no Brasil e a demanda do consumidor por este tipo de produto. A pesquisa foi aplicada em parceria com o Ibope, foi respondida por 2 mil pessoas de diversas partes do Brasil, maiores de 18 anos.

Algumas constatações importantes da pesquisa se relaciona ao crescimento do estilo de vida flexitariano, que era adotado por 29% da população em 2018 e, dois anos depois, apresenta um crescimento significativo, com mais da metade dos brasileiros se identificando conforme este estilo alimentar. O valor da carne e a preocupação com a saúde, podem ser fatores diretamente relacionados a este dado.

Além disso, o fato de o valor de proteínas alternativas ser cada vez mais equivalente ao da carne, é a resposta de 39% dos entrevistados ao admitirem optar pela opção mais barata, deixando como preocupação secundária a composição da proteína. De qualquer forma, 50% dos entrevistados afirmam que, de alguma forma, reduziram o consumo de carne nas refeições diárias, ainda que seja consumindo apenas algumas vezes por semana. Outros 47% afirmaram que consomem somente vegetais, como legumes, verduras e grãos no lugar da carne.

O perfil do flexitariano no mercado plant based

A pesquisa demonstrou, ainda, que a região nordeste liderou o movimento, com 53% da população afirmando consumir menos produtos de origem animal. Por outro lado, a região é também onde há o menor consumo de substitutos vegetais, de 35%. Lideram a incorporação do estilo de vida flexitariano as mulheres, com 54%, 52% são pessoas jovens.

Segundo análise complementar do GFI sobre os dados, a pesquisa demonstrou que o maior público consumidor de proteínas alternativas não é o vegetariano ou vegano. Por isso, o foco da divulgação de produtos vegetais para este público pode não ser uma abordagem assim tão eficaz. O resultado vai ao encontro de pesquisas internacionais que demonstraram que trazer chamadas como “feito de plantas” ou “100% vegetal”, pode ser mais chamativo do que o selo “vegano”.

Para a seleção de carnes vegetais, a pesquisa constatou que, por ordem de importância, as características mais consideradas pelos consumidores, são: menor índice de gordura, preparo apenas com ingredientes naturais e quantidade de proteína. A combinação desses fatores condiz com o mercado brasileiro, que é o quarto maior de alimentos e bebidas saudáveis do mundo. Além disso, o estudo aponta que os consumidores não evitam a soja de forma significativa na composição de carnes vegetais.

Proteína alternativa: o que é importante?

Sobre as alternativas vegetais, a maior prioridade do consumidor é a experiência de consumo ser semelhante a do produto tradicional. Para 62% dos entrevistados, ter sabor, aroma e textura igual a da carne animal, é a característica mais importante. 60% afirmam que consumir um produto o mais natural possível é importante e, quase igual, com 59%, foi priorizado o valor nutricional igual ou melhor do que o produto animal.

Em análise complementar, o GFI aponta que a combinação do segundo e terceiro lugares, demonstra que a tendência cada vez maior entre os consumidores, é a priorização da saudabilidade dos alimentos. Menos da metade dos participantes apontou o preço como um quesito importante na hora de fazer a escolha por um produto vegetal análogo. Mas, isso não significa que o consumidor está disposto a pagar valores muito acima dos tradicionais.

Encontrar os produtos alternativos com facilidade foi um ponto abordado por 42% dos entrevistados, um dado que vai ao encontro de pesquisa realizada pela Dupont, onde 51% da população entrevistada disse não encontrar alternativas vegetais nos lugares onde fazem suas compras normalmente e isso se torna uma barreira para incorporar essas alternativas no seu dia a dia. Contudo, em pesquisa da Ingredion, de setembro de 2020, 61% dos participantes responderam que preços acessíveis eram a característica mais desejada em produtos vegetais.

O que faria o consumidor pagar mais caro?

A pesquisa do GFI perguntou aos seus entrevistados, ainda, quais características em produtos plant based, os fariam pagar 30% a mais do valor em relação a um produto tradicional. 30% afirmaram que a presença de aditivos naturais ao invés de artificiais (como aroma, corante, etc.) e outros 30% afirmaram que pagariam mais por um produto livre de gorduras saturadas.

O fato de que nenhuma das alternativas recebeu mais de 30% dos votos, indica que nenhum atributo, isolado é suficiente para justificar um aumento significativo de preço para o consumidor. Além disso, os dados apontam que, apesar de características sensoriais serem importantes, o preço ainda é um fator de grande peso para determinar a compra.

Outros dados apontam que 53% dos consumidores preferem consumir proteínas alternativas em casa, ao cozinhá-las, 59% consumiriam essas proteínas nas refeições do dia a dia e 54% em momentos em que desejam fazer refeições rápidas. Sobre a preferência por marcas, 40% afirmam que uma marca produzir linhas vegetais e não vegetais, não seria relevante em sua escolha, já outros 30% afirmam que prefeririam consumir de empresas que comercializam apenas produtos 100% de origem vegetal.

Fonte: The Good Food Institute

 

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