As mulheres estão cada vez mais adotando a prática de esportes com fins competitivos em sua rotina. Apesar dessa procura aumentada, existem poucos estudos que evidenciam as melhores estratégias para influenciar positivamente o seu desempenho, tendo em vista as diferenças fisiológicas e hormonais desse público, comparado aos homens.

Um olhar para as modificações hormonais da mulher atleta!

O impacto do ciclo menstrual no desempenho esportivo feminino vem sendo uma área em crescimento na literatura científica. Os hormônios estradiol e progesterona influenciam no fluxo menstrual e suas constantes alterações nesse período são mais elevadas na fase lútea e menos na fase folicular. Essas mudanças podem gerar respostas contraditórias em condições como hipertrofia e força muscular.

Alguns trabalhos na literatura ressaltam a influência do ciclo menstrual sobre as respostas e adaptações fisiológicas frente ao exercício, especialmente na recuperação muscular.

O estrogênio é um hormônio com uma maior função anabólica, diferentemente da progesterona que é caracterizada por efeitos catabólicos. Dadas essas diferenças nas funções hormonais, o desempenho musculoesquelético normalmente varia com alterações na produção hormonal durante diferentes fases do ciclo. Esse achado pode ser comprovado por um estudo mais antigo que mostrou que mulheres que treinaram em período de ovulação tiveram um aumento de 11% da massa muscular na região do quadríceps.

O rendimento é diferente em cada fase do ciclo menstrual?

Para exemplificar a associação entre performance e ciclo menstrual, Romero-Moraleda et al (2019) realizaram um estudo que investigou as flutuações do desempenho muscular em exercício de agachamento realizado em 3 fases diferentes do período menstrual. A intervenção foi composta por 13 mulheres treinadas em exercícios de resistência e eumenorreicas. Os pesquisadores estimaram a massa corporal, a temperatura timpânica e a concentração urinária do hormônio luteinizador, por 30 dias, para determinar a fase especifica.

Em cada fase, o desempenho foi avaliado em 20, 40, 60 e 80% de um máximo de repetição, sempre no segundo dia do período em questão. A força, a velocidade e o gasto de energia foram semelhantes em todas as fases do ciclo menstrual, mostrando que as participantes tiveram a força muscular e o desempenho de potência semelhantes.

A compreensão de cada fase da mulher atleta deve ser um ponto essencial a ser avaliado para usar estratégias nutricionais que melhorem suas condições hormonais e evitem possíveis efeitos colaterais do ciclo menstrual, que comprometam a performance esportiva.

 

REFERÊNCIAS

SOUZA, G. C.; SANTOS, F. P.; LIMA, P. C. et al. Influência do Ciclo Menstrual na Força e na Atividade Eletromiográfica do Músculo Quadríceps em Mulheres Fisicamente Ativas. Pensar a Prática, Goiânia, v. 18, n. 1, 2015. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/274391386_INFLUENCIA_DO_CICLO_MENSTRUAL_NA_FORCA_E_NA_ATIVIDADE_ELETROMIOGRAFICA_DO_MUSCULO_QUADRICEPS_EM_MULHERES_FISICAMENTE_ATIVAS > Acesso em: 9 dez. de 2020.

ROMERO-MORALEDA, B. et al. The Influence of the Menstrual Cycle on Muscle Strength and Power Performance. Journal of Human Kinetics, v. 68, p. 123-133, aug. 2019.

DESBROW. B. et al. Nutrition for Special Populations: Young, Female, and Masters Athletes. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, v.29, n.2, p.220-227, 2019. Disponível em> <https://journals.humankinetics.com/view/journals/ijsnem/29/2/article-p220.xml?content=pdf-6970&gt;>. Acesso em: 09 dez. 2020.

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