Ferramenta tem como objetivo orientar os fabricantes de alimentos após o polêmico esquema de rotulagem de alimentos que foi introduzido no país.

Ainda que não seja de uso obrigatório pela indústria alimentícia alemã, a expectativa da ministra federal de alimentos e agricultura, Julia Klöckner é de que o Nutri-Score passe a orientar a fabricação de alimentos no país. O mecanismo oferece uma escala combinada de cores de letras de verde (A), que representam as escolhas mais saudáveis, até vermelho (E), representando as escolhas menos saudáveis. O objetivo é facilitar a leitura dos consumidores e a comparação sobre a qualidade nutricional dos produtos.

Conforme a ministra, “Um dos principais projetos de política nutricional da Alemanha foi implementado com sucesso. Agora, a economia e o comércio precisam acompanhar o ritmo. O Nutri-Score oferece aos consumidores informações facilmente compreensíveis e comparáveis e, portanto, uma orientação útil na prateleira do supermercado. A escolha saudável deve ser a mais fácil possível. Tenho uma expectativa clara da indústria alimentar de que usarão a rotulagem – já criamos os requisitos legais para isso. Independentemente disso, eu me comprometo a harmonização da rotulagem nutricional estendida a nível da UE”.

Atualmente, o órgão regulador alemão pondera a rotulagem nutricional obrigatória que deve ser eleita como parte da estratégia alimentar sustentável do país, a “Farm-to-Fork”, algo que deve ser definido até o final de 2020 e o formato de classificação por cores é o favorito até o momento.

Os governos da França, Holanda, Suíça, Espanha e Bélgica optaram pelo Nutri-Score como seu esquema de rotulagem voluntário. Assim, muitas das grandes indústrias de alimentos na Europa, como Nestlé, Kellogg e Danone, também optaram, de forma voluntária, pela adoção do Nutri-Score. Além disso, empresas como Nestlé e Danone, solicitaram ao Reino Unido a mudança de rótulos nutricionais semáforos para o Nutri-Score, em um período cujo país reavalia sua estratégia contra a obesidade.

As críticas ao Nutri-Score

Porém, o Nutri-Score também tem seus críticos, o governo da Itália expressou críticas ao sistema, temendo seu impacto negativo nas iguarias tradicionais do país, como carnes curadas e queijos. Além disso, o lobby dos agricultores da União Europeia, COPA-COGECA, compartilha dos mesmos temores, de que os algoritmos do sistema simplifiquem as informações nutricionais e corram o risco de penalizar alguns dos principais produtos da dieta mediterrânea, como o azeite.

“Qualquer rotulagem nutricional na frente da embalagem deve ser baseada na ciência e levar em consideração a complexidade dos produtos alimentícios ao estabelecer sua contribuição nutricional geral, e não ser baseada exclusivamente em certos nutrientes. Aos nos concentrarmos apenas em um número muito limitado de nutrientes, como açúcar, gordura e sal ou a ingestão de energia, acabamos deixando de lado produtos alimentícios nutritivamente valiosos, como o mel, e promovendo produtos não saudáveis, como refrigerantes dietéticos à base de aspartame”, comentou Pekka Pesonen, secretário geral do COPA-COGECA.

“Muitos dos produtos que poderiam ser danificados por uma abordagem tão simplista da rotulagem nutricional são reverenciados por seus benefícios à saúde e estão no cerne das dietas tradicionais como a mediterrânea. Eles contribuem para a diversidade alimentar, que é a base de qualquer dieta equilibrada. Pintá-los vermelho não vai ajudar os consumidores ou os produtores”, finaliza.

Fonte: Food Navigator

 

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