The Lancet publica estudos que apontam eficácia das vacinas Coronavac e de Oxford

Estudos veiculados em uma das principais revistas científicas do mundo, a The Lancet, aponta eficácia de ambas as vacinas.

Sobre a vacina criada pela empresa chinesa Sinovac e produzida no Brasil junto ao Instituto Butantã, a Coronavac, os resultados iniciais do novo estudo clínico mostraram-se animadores, pois o imunizante com base no vírus Sars-CoV-2 inativado, mostrou-se seguro e eficaz, induzindo a produção de anticorpos em mais de 700 indivíduos saudáveis, com idade entre 18 e 59 anos que participaram da pesquisa, na China.

A pesquisa demonstra, ainda, que a resposta imunológica se manifestou dentro de 28 dias após a primeira dose da vacina, demandando uma segunda dose após 14 dias. Os efeitos colaterais observados foram leves e desapareceram após 48 horas. Dor local após a aplicação, foi a principal queixa dos participantes do estudo.

Os anticorpos induzidos pela vacina alcançaram níveis mais baixos do que os que foram observados em pessoas que foram infectadas e se recuperaram da Covid-19. Contudo, com base nos estudos pré-clínicos, realizados com macacos, os pesquisadores acreditam que a Coronavac oferece a proteção necessária contra o vírus.

Além disso, os cientistas identificaram que a dose ideal para gerar respostas mais elevadas de anticorpos, considerando os efeitos colaterais e a capacidade de produção, é de 3 microgramas (µg). Porém, isso ainda precisa ser avaliado com mais profundidade em estudos de fase 3, que já se encontram em andamento.

“Nossas descobertas mostram que Coronavac é capaz de induzir uma resposta rápida de anticorpos dentro de quatro semanas de imunização, dando duas doses da vacina em um intervalo de 14 dias”, comenta Fengcai Zhu, coautor do estudo e pesquisador do Centro Provincial de Controle e Prevenção de Doenças de Jiangsu, na China, em comunicado. “Acreditamos que isso torna a vacina adequada para uso de emergência durante a pandemia. No entanto, são necessários mais estudos para verificar quanto tempo a resposta de anticorpos permanece após a vacinação”, explica.

Resultados da vacina de Oxford demonstram eficácia em idosos

Já a vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica Astra Zeneca, mostrou-se segura e induziu a uma forte resposta imune em pessoas idosas durante a fase 2 de testes, apontou um estudo publicado, também na The Lancet.

A vacina de Oxford é uma das quatro que se encontram em testes de fase 3 no Brasil, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Em agosto, o governo federal anunciou o investimento de R$1,9 bilhão para a produção de 100 milhões de doses. No início de novembro, a Fiocruz anunciou um cronograma de produção e distribuição do imunizante no Brasil.

Resultados preliminares dos testes já tinham sido divulgados no final de outubro, contudo, a publicação na The Lancet é um sinal de que esses resultados foram validados também por outros cientistas, o que se denomina de “revisão por pares” ou “peer review”, um passo necessário para que qualquer estudo científico seja publicado em uma revista.

A vacina, denominada ChAdOx1 nCoV-19 (ou AZD1222), foi testada em 560 participantes, incluindo 240 pessoas com mais de 70 anos de idade. A fase 2 dos testes avalia a segurança e a capacidade do imunizante de gerar uma resposta do sistema de defesa, o que geralmente envolve centenas de voluntários.

Maheshi Ramasamy, coautor do estudo, aponta que o resultado em pessoas idosas é encorajador. “As respostas robustas de anticorpos e células T vistas em pessoas mais velhas em nosso estudo são encorajadoras. Esperamos que isso signifique que nossa vacina ajudará a proteger algumas das pessoas mais vulneráveis da sociedade, mas mais pesquisas serão necessárias antes que possamos ter certeza”, diz.

Os resultados da vacina de Oxford mostram que ela é melhor tolerada em pessoas mais velhas do que em adultos mais jovens, embora produza resposta imune semelhante em ambos os públicos. As reações adversas foram leves e as mais comuns relatadas foram: dor no local da injeção, fadiga, dor de cabeça, febre e dor muscular. E estes efeitos foram menos comuns em idosos do que em adultos mais jovens.

Como funcionam as fases de teste?

Os testes que validam uma vacina são, geralmente, divididos em fase 1, 2 e 3, para que, ao longo do processo, os cientistas consigam identificar os efeitos adversos mais graves, bem como a efetividade da imunização em induzir uma resposta imune eficaz, isto é, uma resposta efetiva da defesa do organismo humano.

Os testes de fase 1 costumam envolver algumas dezenas de voluntários, enquanto os de fase 2 requerem algumas centenas de voluntários e, os de fase 3, alguns milhares. Essas fases são conduzidas de forma separada, mas, devido à urgência desencada pelo estado de pandemia e para encontrar uma imunização para a Covid-19, diversas empresas passaram a realizar mais de uma etapa paralelamente.

Antes de dar início aos testes em seres humanos, as vacinas são testadas em animais, geralmente em camundongos e, posteriormente, em macacos.

Fonte: Galileu / G1

 

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