O crescimento do conhecimento sobre a genômica e áreas correlatas é proporcional à importância destas ciências na área da saúde, de forma a desenvolver estratégias que visam a promoção da longevidade da população, como, por exemplo, melhorando a forma de prevenir e tratar doenças. Mas, a exposição ambiental que todo o ser humano sofre, desde o início da vida até o seu envelhecimento, também exerce importante influência no estado de saúde ou de doença dos pacientes. Dessa forma, foi criada a ciência expossômica: em que a química encontra a biologia.

Expossoma – Entendendo o conceito:

O termo expossoma foi criado, em 2005, para definir todas as exposições ambientais, como substâncias químicas consideradas tóxicas que são encontradas no ambiente geral, na alimentação e até relacionadas ao status socioeconômico  às quais um indivíduo é exposto no decorrer da sua vida, desde o dia do seu nascimento, e quais são os impactos que elas causam na homeostase do organismo. Ela proporciona uma visão mais holística da homeostase do organismo humano, sendo aliada das outras ciências “ômicas” e proporcionado uma personalização cada vez maior da medicina.  Inclusive, foi criado o Projeto Expossoma Humano, demonstrando a importância do expossoma na saúde humana.

O impacto do expossoma na infância e na adolescência

Baluch, Gallant e Ellis (2020) conduziram uma revisão abordando a ciência expossômica em estudos coortes de nascimento. Os autores reúnem estudos que abordam o impacto do expossoma no desencadeamento de alterações físio-metabólicas no indivíduo, como associação entre a exposição no primeiro trimestre à poluição do ar e o aumento do risco de sensibilização alérgica aos 12 meses de idade e o uso regular de purificadores de ar e a presença de fungos na residência, que foram associados à sibilância e tosse na primeira infância. Isso demonstra como essa ciência é importante para contribuir na identificação da etiologia de doenças na infância pela ótica de complexas exposições ambientais durante a gravidez e após o nascimento.

Como se relaciona com as outras ciências “ômicas”?

Assim como abordado anteriormente, Mas as tecnologias e os biomarcadores utilizados nestas ciências podem facilitar o estudo do expossoma porque possibilita a identificação dessas mudanças moleculares iniciais por tecnologias “ômicas”, desse modo, oferecendo a possibilidade de identificar novos biomarcadores relacionados à ciência expossoma, que podem ser empregados precocemente na vigilância da população.

A ciência expossômica vem para complementar o olhar personalizado sobre o indivíduo, junto as outras ciências “ômicas”, traduzindo o impacto do ambiente na saúde e na doença, sendo essencial levá-la em consideração na sua prática clínica.

Fonte: E4 Nutrition

 

Referências

LOUIS, G..M.B. et al. The Exposome Research Paradigm: An Opportunity to Understand the Environmental Basis for Human Health and Disease. Curr Environ Health Rep., v.4, n.1, p.89–98, 2017. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5363405/pdf/nihms852771.pdf > Acesso em 22 set. 2020.

BALUCH, N.; GALLANT, M.; ELLIS, A.K. Exposomal Research in the Context of Birth Cohorts – What have they taught us?. Ann Allergy Asthma Immunol, v.S1081-1206, n.20, p.31005-X, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32927048/  > Acesso em 22 set. 2020.

VINEIS, P. et al. What is new in the exposome? Environ Int., v.143, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32619912/ > Acesso em 22 set. 2020.

DEBORD, D.G. et al. Use of the “Exposome” in the Practice of Epidemiology: A Primer on -Omic Technologies. Am J Epidemiol., v.184, n.4, p. 302–314, 2016. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5025320/pdf/nihms813843.pdf  > Acesso em 22 set. 2020.

THE HUMAN EXPOSOME PROJECT. Disponível em: <https://humanexposomeproject.com/> Acesso em 22 set. 2020.

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