Com índices elevados no Brasil, sobrepeso e obesidade receberão incentivo financeiro para a promoção de ações de controle.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, trouxe dados sobre desnutrição, sobrepeso e obesidade na população brasileira maior de 15 anos de idade. O levantamento serve de base para ampliar ações de prevenção e controle da obesidade no âmbito da Atenção Primária à Saúde, bem como para otimizar os recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) destinados a este fim.

O Ministério da Saúde disponibilizará, em caráter excepcional e temporário, ainda em 2020, um incentivo financeiro federal para atenção às pessoas com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), incluindo a obesidade. Os recursos serão destinados à qualificação de ações de promoção da saúde.

“Inquéritos como a PNS são as melhores fontes de evidências disponíveis, tendo em vista sua abrangência e a robustez dos dados por eles gerados. Com base nessas informações, é possível o Ministério da Saúde traçar estratégias, políticas e programas que estejam de acordo com o cenário epidemiológico da população brasileira”, aponta Alexandre Fortes, diretor substituto do Departamento de Saúde da Família, do Ministério da Saúde.

Como é feito o cálculo da PNS

Para realizar o levantamento de dados, o cálculo efetuado pela PNS é baseado no Índice de Massa Corporal (IMC), feito a partir relação entre peso e altura (IMC = peso/ (altura x altura)). Acima de 25kg/m² há excesso de peso e acima de 30 kg/m², obesidade.

Conforme Eduardo Macário, diretor do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não-Transmissíveis do Ministério da Saúde, “Nós já vínhamos acompanhando a evolução dos indicadores de sobrepeso e da obesidade, mas agora com esses dados novos temos uma informação real, mensurada, que reforça a necessidade de compromisso do Ministério da Saúde e da sociedade para enfrentamento de um dos principais fatores para doenças de risco, como diabetes e doenças cardiovasculares, entre outras”.

Entre 2003 e 2009, os resultados de duas pesquisas do IBGE (Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)), mostraram que a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais de idade no país, saltou de 12,2% para 26,8%. Ao longo deste período, a prevalência da obesidade entre as mulheres, aumentou de 14,5% para 30,2% e, entre os homens, de 9,6% para 22,8%.

O Ministério da Saúde prepara, ainda, o lançamento de ações de qualificação dos profissionais de saúde, como “Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de sobrepeso e obesidade”, bem como a publicação do “Instrutivo de Cuidado da Obesidade em Crianças e Adolescentes”, a fim de oferecer apoio para a formação de profissionais nos cuidados e especificidades da atenção a crianças e adolescentes com obesidade.

Excesso de peso, obesidade e desnutrição na população brasileira

A PNS 2019 apontou que 60,3% da população adulta no Brasil apresenta excesso de peso, o que corresponde a cerca de 96 milhões de brasileiros. Entre os adolescentes com idades entre 15 e 17 anos, o excesso de peso fica entre 19,4%, representando cerca de 1,8 milhão de pessoas.

A obesidade foi observada em 29,5% das mulheres e em 21,8% dos homens com 18 anos ou mais de idade. O indicador foi maior nas mulheres, chegando a 38,0% na faixa etária entre 40 a 59 anos.

Já os indicadores de déficit de peso em adultos com 18 anos ou mais de idade, foi de 1,6%, ficando abaixo do limite de 5% esperado na população. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), prevalências de déficit de peso iguais ou superiores a 5%, indicam a exposição da população adulta à desnutrição. Em quase todos os grupos etários, os homens apresentam maior déficit de peso do que as mulheres.

Atitudes e hábitos saudáveis

A fim de qualificar a atenção às pessoas com sobrepeso e obesidade no (SUS), o Ministério da Saúde investe em diferentes ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento, incluindo programas, diretrizes, materiais e publicações que visam incentivar a alimentação adequada e saudável, além de apoiar projetos de pesquisa, extensão e formação de diferentes categorias de profissionais.

Existem, também, iniciativas para incentivar programas de apoio às comunidades e nas orientações sobre alimentação saudável nas escolas, como:

Programa Crescer Saudável: conjunto de ações articuladas entre saúde e educação para o fortalecimento e garantia do acompanhamento adequado do crescimento e desenvolvimento infantil, a fim de prevenir, controlar e tratar a obesidade infantil. O programa conta com a participação de mais de 4 mil municípios e alcança 10,5 milhões de alunos menos de 10 anos, com um repasse de R$32,5 milhões.

Programa Saúde na Escola: iniciativa que, desde 2017 acompanha a saúde dos estudantes da rede pública de ensino de educação básica e está presente em mais de 5 mil municípios e alcança 22 milhões de estudantes em 91 mil escolas, com um repasse de R$89 milhões em 2019.

A nutrição possui papel crucial no processo de melhora desses indicadores e o Ministério da Saúde amplia a divulgação do Guia Alimentar para a População Brasileira, bem como do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos, documentos importantes que possibilitam à sociedade ampliar seu nível de informação sobre as recomendações de hábitos saudáveis.

Fonte: CRN-6

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