Um biomarcador é qualquer substância bioquímica que pode ser medida precisamente no corpo e influencia ou prediz o estado de saúde ou de processo biológico e de resultado. Em atletas, hormônios, metabólitos, eletrólitos e outras substâncias são utilizadas como biomarcadores, servindo para avaliar o estado de nutrição e de hidratação, dano muscular, inflamação, risco de lesão ou cardiovascular, entre outros. Dessa forma, a avaliação destes permite traçar condutas nutricionais assertivas e individualizadas visando a performance esportiva.

Mulher atleta e suas particularidades

A tríade da mulher atleta, que atualmente é denominada como síndrome de deficiência energética relativa no esporte, visto que pode acometer tanto homens como mulheres, nesse último grupo, caracteriza-se por disfunção menstrual, baixa densidade mineral óssea e redução da disponibilidade energética, sendo uma das condições mais prevalentes nas mulheres atletas. Um outro fator que impacta a saúde e a performance, requisitando atenção neste nicho, é a anemia, devido à perda de sangue no ciclo menstrual associada à depleção de ferro relacionada aos mecanismos induzidos pelo treinamento intenso.

Alguns biomarcadores que devem ser avaliados nas mulheres atletas:

Status de ferro {ferro sérico, receptor solúvel de transferrina, ferritina e hemoglobina}: o ferro é essencial para o transporte de oxigênio e a produção de energia. Um limite de ferritina inferior de 12 μg/L é geralmente considerado grave o suficiente para indicar um estado de deficiência de ferro em mulheres fisicamente ativas. É fundamental avaliar em conjunto à ferritina, o status de inflamação da paciente, pois este biomarcador pode estar elevado em um quadro pró-inflamatório.

25-OH-Vitamina D: a literatura científica demonstra uma alta prevalência de baixas concentrações séricas de vitamina D nas mulheres atletas, inclusive, se correlacionado com a deficiência de ferro. Apesar dessa correlação ainda não ser totalmente bem-entendida, há a hipótese de que isso ocorre devido ao fato da vitamina D regular a eritropoiese, através de sua influência na hepcidina. A depleção da vitamina D pode estar relacionada com o estresse neste nicho, principalmente nos períodos de treinamentos extenuantes e de competições.

Leptina sérica: estudos demonstram que baixas concentrações de leptina são responsáveis pelas mudanças induzidas pela fome nos eixos neuroendócrinos, incluindo infertilidade, hormônios tireoidianos e do IGF-1. A amenorreia hipotalâmica funcional também está associada a baixas concentrações de leptina. Assim, é importante avaliar o nível basal de leptina no início do tratamento da síndrome de deficiência energética relativa no esporte, de forma a avaliar melhora do quadro de desnutrição.

Cortisol: é um importante marcador do balanço anabólico-catabólico, estando o seu aumento relacionado com a síndrome de deficiência energética relativa no esporte, pois contribui para a redução da disponibilidade energética, além de promover imunossupressão, reduzindo o número de leucócitos. O cortisol elevado também está relacionado com a amenorreia hipotalâmica funcional.

Hormônios sexuais {progesterona, estrogênio, LH, FSH}: a supressão desses hormônios relaciona-se com o quadro de amenorreia hipotalâmica funcional. Além disso, a queda deles promove uma baixa disponibilidade energética, além de agravar a saúde óssea, por promover redução da densidade mineral dos ossos. Assim, é fundamental acompanhar esses hormônios em mulheres atletas, evitando esse hipogonadismo.

TSH, T4 livre, T3: são importantes para avaliar o metabolismo energético no período de treinamentos extenuantes. A deficiência energética pode propiciar a redução do T3.

Marcadores de turnover ósseo {fosfatase alcalina, osteocalcina, propetídeo amino termina do procolágeno tipo 1}: avaliar os biomarcadores relacionados à saúde óssea, associado com outros exames que devem ser solicitados pelo médico, é fundamental para acompanhar a possível desmineralização óssea ocasionada pelo hipogonadismo.

Fonte: E4 Nutrition

REFERÊNCIAS

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