País foi classificado como o segundo maior consumidor de agrotóxicos fabricados na Europa, ficando atrás, apenas dos Estados Unidos.

Um levantamento de dados realizado pela organização suíça Public Eye em parecia com a Unearthed, aponta o Brasil como o 2º maior comprador de agrotóxicos fabricados em solo europeu, perdendo somente para os Estados Unidos da América. A compra deste tipo de produto por parte do país, bateu mais de 10 mil toneladas em 2018 e 12 mil, em 2019.

A fabricação de agrotóxicos na Europa é permitida, entretanto, o uso daqueles considerados mais maléficos à saúde e agricultura é extremamente proibido. Essa norma,  potencializa a exportação dos produtos mais prejudiciais fabricados no continente, para países que não limitam o uso destes agentes.

Segundo Laurent Gaberell, pesquisador da Public Eye, tal atitude funciona como um tipo de ciclo vicioso do veneno, onde há externalização dos impactos para o consumo Europeu, enquanto aqui no Brasil, os mais afetados são os camponeses, indígenas e aqueles que moram próximos ao campo. Já Baskut Tuncak, que foi relator especial da ONU para substâncias tóxicas entre 2014 a julho de 2020, define essa atitude como discriminatória e contraditória, tendo em vista de que o uso desses agrotóxicos de alta toxicidade, somente é permitida devido a brechas legais que beneficiam o mercado de agrotóxicos e violam os direitos humanos daqueles que não residem na Europa.

Além do Brasil, países pobres como Ucrânia, México e África do Sul também são compradores relevantes. Ao passo em que os danos causados pelo consumo destes produtos, pode gerar mais riscos à saúde de seus consumidores, tendo em vista que as condições de aplicação e controle do uso de agrotóxicos, são menos rigorosas em países mais pobres. Além disso, um fator de influência nos danos causados por esse consumo excessivo, é a autorização de pulverização aérea, em que boa parte do agroquímico fica à deriva e pode alcançar rios e comunidades rurais próximas à plantação.

Efeito da exportação

Em 2018, a ONG Pesticide Action Network (PAN) realizou testes com 770 frutas, legumes e grãos exportados por países que fazem uso dos agrotóxicos produzidos pela Europa. Os objetivos foram de avaliar a presença e prevalência de agrotóxicos proibidos. Os resultados apontaram que, dos 770 alimentos, 97 possuíam a presença dos agrotóxicos listados.

A análise faz com que a proibição do uso dos agrotóxicos na Europa seja uma contradição, uma vez que a União Europeia produz e importa para outros países, diversos produtos que contém substâncias proibidas em seu próprio continente. Segundo Angeliki Lyssimachou, uma das pesquisadoras que fez parte do grupo do estudo mencionado, enxerga essa decisão como hipócrita.

Carbendazim e Paraquate: vilões da agricultura

Existem 41 tipos diferentes de agrotóxicos proibidos dentro do bloco europeu e, dentre os diversos motivos que levaram a União Europeia a proibir seu uso e consumo, estão evidências sobre infertilidade, malformação fetal, câncer, contaminação da água e até mesmo toxicidade para os animais como consequências associadas às substâncias. Dentre estes, existem dois que chamam ainda mais atenção, o Carbendazim e o Paraquate.

Na Europa, o uso de Carbendazim foi proibido após dados comprovarem que a substância pode causar defeitos genéticos, malformação fetal, empecilhos para a fertilidade e alta toxicidade para a vida aquática. Contudo, mesmo com as evidências cientificamente comprovadas, no Brasil, este é um dos agrotóxicos mais utilizados nos alimentos, especialmente para o de laranja, limão, maçã, feijão, soja e trigo. No total, 25 empresas detêm registro de produtos que contêm este agrotóxico.

Em relação ao Paraquate, campeão de exportação, o Ibama afirma que mais de 68% (cerca de 13 mil toneladas) das compras deste químico em 2018, foi realizada pelo Brasil.

Fonte: Asbran

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