Modelo econômico e industrial preza por matérias-primas renováveis e pode favorecer diversos avanços tecnológicos e científicos na área da alimentação.

A bioeconomia propõe um modelo econômico e industrial que substitui a exploração de recursos fósseis e não renováveis, por matérias-primas regenerativas, o que favorece não somente a produção de bioenergia. Mas seus avanços tecnológicos e científicos, permite que sejam produzidos alimentos funcionais e biofortificados, além de medicamentos, plásticos biodegradáveis e diversos outros produtos.

Estudos realizados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, apontam que a bioeconomia movimenta cerca de 2 trilhões de euros, gerando 22 milhões de empregos em todo o mundo. Até 2030, a estimativa é de que as biotecnologias representem 80% da produção de fármacos, 50% da produção agrícola e 35% dos produtos químicos.

A mesma pesquisa, aponta, também, que 2,7% do PIB dos Estados-membros virão da bioeconomia que, nos Estados Unidos, já representa 5% do PIB, conforme dados das Academias de Ciências, de Engenharia e de Medicina. O percentual em questão, apresenta potencial de maior representatividade ainda em países como o Brasil, que possui grande biodiversidade de fauna e flora.

“A Amazônia brasileira possui mais de 500 milhões de hectares, 340 milhões ainda intactos; representa 20% da biodiversidade global. É um bioma onde ainda há muito o que descobrir. pois ali uma nova espécie é descoberta ou descrita a cada três dias. A grande questão do debate é: quanto vale a floresta? qual é o valor da floresta em termos de bioativos? Sem dúvida nenhuma é maior do que da floresta deitada, devastada se explorada de forma irracional”, argumentou o presidente executivo da Associação Brasileira de Bioinovação – ABBI, Thiago Falda.

Presidente do Conselho diretor da ABBI, Maurício Adade apontou ações fundamentais para o desenvolvimento de um ecossistema que estimule a bioeconomia avançada na Amazônia. “Devemos mapear as matérias-primas e biorecursos e desenvolver redes de distribuição e coleta envolvendo as comunidades locais; modernizar os marcos regulatórios para desburocratizar o ambiente de inovação de negócios; incentivar a interação entre a academia e o setor público, com especial atenção à pesquisa aplicada para exploração sustentável da biodiversidade local; criar mecanismos para atração de investimentos e empresas de produtos de base biológica; estimular a criação de mecanismos para participação de produtos de base renovável e soluções de baixo carbono no mercado nacional e que permitam a competitividade desses produtos no exterior”, disse.

Exploração não predatória da Amazônia

Diante de tal potencial, é preciso racionalizar medidas que protejam uma das maiores riquezas do Brasil, implementando o desenvolvimento da bioeconomia na região amazônica sem ações predatórias – como as que ocorrem em todo o Pantanal nos últimos meses. Isso porque o atual foco das atividades econômicas brasileiras ainda são as commoditires que, ainda que atrativas, já que são produzidas em larga escala, possuem baixo valor agregado.

Se explorados de forma sustentável e não predatória, os recursos naturais da Amazônia podem gerar um transformador impacto positivo na economia nacional, tudo isso, sem destruir o bioma brasileiro. Isso deve ocorrer por meio de investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias que partem dos conhecimentos acumulados ao longo de anos por instituições científicas locais. Por meio desses conhecimentos, é possível desenvolver novos produtos alimentícios e farmacêuticos que podem fazer do Brasil uma verdadeira referência mundial nessas áreas.

Gustavo Guadagnini, diretor executivo do The Goof Food Institute, comenta que a indústria de proteínas alternativas tem muitos benefícios a extrair do desenvolvimento de produtos e de novos ingredientes de alto valor agregado na região amazônica, utilizando a biotecnologia.

“O Brasil tem uma biodiversidade única, por isso também temos inúmeras possibilidades de gerar ingredientes inovadores com base em todas essas espécies de plantas amazônicas. O GFI acredita que uma agenda de bioinovação focada na região amazônica será um dos ingredientes essenciais para uma receita de sucesso na qual o Brasil poderá liderar globalmente a indústria de proteínas alternativas”, afirma.

Ações integradas são a chave do êxito

Integrar ações entre agentes econômicos, científicos e governamentais, é um fator fundamental para que o Brasil assuma papel de liderança na bioeconomia. Cada vez mais, os produtores, indústria, governos e cientistas se unem em prol de encontrar soluções que possibilitem o aumento da produção global de proteínas de maneira mais sustentável.

Entre as ações possíveis, é possível mencionar melhorias nas práticas de manejo, estudos para a produtividade sustentável no campo e a implementação de tecnologias agrárias, tais como monitoramento de plantações por drones, agricultura de precisão e fazendas verticais. O desenvolvimento de novas fontes de proteínas é outra valiosa solução que surge na concepção do novo panorama alimentar. Por esta razão a indústria de proteínas alternativas ganha cada vez mais força e espaço e se torna um dos caminhos necessários para o futuro da alimentação no mundo.

“Para uma reviravolta completa na Amazônia, é necessário financiar uma revolução disruptiva de ciência e tecnologia. O objetivo é criar novos caminhos de desenvolvimento econômico e social a partir dos recursos biológicos da região – esse é um discurso que nos une a todos. O resultado será a descoberta de um mundo de oportunidades que transformam os recursos ecossistêmicos amazônicos e sistemas agroflorestais em artigos altamente valiosos através da bioindustrialização, muito mais rentáveis e socialmente inclusivos do que o caminho que nós cursamos nos últimos 50 anos na Amazônia”, finalizou o cientista e meteorologista, Carlos Nobre.

Fonte: Vegan Business

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