A segunda bebida mais consumida do Brasil ganhou novos admiradores e a busca por novas formas de preparo durante a pandemia.

A bebida, que faz parte da cultura e dos hábitos cotidianos de grande parte dos brasileiros, o café é a segunda bebida mais consumida do país e domina um terço da produção e da exportação mundial, segundo a Organização Internacional do Café (OIC), alcançando 130 países.

Conforme a pesquisa da OIC, durante a pandemia do COVID-19, houve um aumento no consumo de café, que cresceu em 35% durante o mês de março e se estabilizou nos meses seguintes. Houve, também, uma procura crescente sobre formas de aprimorar a bebida e de técnicas diferenciadas de preparo. Mesmo após a reabertura do comércio, nos últimos meses, as pessoas não voltaram a frequentar as cafeterias como faziam antes. Na realidade a busca por cafeterias delivery e e-commerce especializados, aumentou.

Segundo Georgia Franco de Sousa, proprietária da cafeteria Lucca Cafés Especiais (Curitiba), seus clientes demonstraram mais interesse em aprender os melhores métodos para preparar o café em casa. “Com isso, nós começamos a enviar vídeos para eles pelo WhatsApp mostrando as diferentes técnicas. Nós temos uma escola de baristas. Então foram os nossos professores que colaboraram para essa iniciativa”, apontou.

Ao mesmo tempo, o aumento do consumo de café favoreceu produtores e exportadores. A estimativa de produção nacional foi de 59 milhões de sacas de 60kg, o que, por outro lado, desfavoreceu pequenos e grandes comércios, que foram atingidos pela crise econômica e tiveram de reduzir suas operações e, consequentemente, o número de funcionários, ou, para alguns, a alternativa foi fechar as portas.

Segundo o pesquisador da Embrapa Café, Lucas Tadeu Ferreira, ano par significa safra alta, o que explica o bom resultado da produção de café. Devido a condições climáticas favoráveis e à alta valorização do dólar em relação ao real, já foram exportadas 26,4 milhões de sacas, alcançando seu maior volume para o período de janeiro a agosto, o melhor nos últimos 5 anos.

Cafés: tipos e seus diferentes sabores

No Brasil, são produzidas e exportadas duas espécies de café:

Arábica: corresponde a 70% da produção, sendo produzido em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia. Possui um sabor mais suave, utilizado para produção de café de alta qualidade. O grão possui 1,4% de cafeína.

Robusta ou conilon: corresponde a 30% da produção nacional e é produzido no Espírito Santo, Rondônia e Bahia. Seu sabor é mais intenso se comparado ao Arábica e seu grão possui 2,5% de cafeína.

Em relação ao sabor e aroma, existem diversos fatores que influenciam, como o tipo de café, o ponto de maturação do fruto e, até mesmo a forma de torragem dos grãos. Segundo Vanusia Nogueira, diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), para a preparação de cafés extrafortes e tradicionais, são misturadas sementes das frutas do café que já estão maduras, com aquelas que ainda não amadureceram. Já na produção dos cafés especiais, são utilizadas somente as sementes dos frutos maduros.

Os cafés especiais

Para que estejam aptos a receber o Selo de Qualidade BSCA, são recolhidas amostras de grãos das fazendas e avaliadas de acordo com tipo, cor, aspecto, peneira e torra. Logo após, ocorre uma degustação por quatro avaliadores responsáveis, que analisam a doçura, acidez, corpo e sabor da bebida. Cafés com notas entre 75 e 80 pontos, são classificados como gourmet, já os acima de 80 pontos, são classificados como especiais.

Atualmente, apenas cerca de 20% das fazendas brasileiras produzem o tipo de grão que se enquadra na qualidade de café especial e, além disso, sua produção depende também das condições climáticas. A expectativa da BSCA para a safra 2020 é uma produção de 9 milhões de sacas de cafés especiais (15% da safra total).

Fonte: G1

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