Segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), em 2018, 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos. Segundo esta mesma pesquisa, houve um crescimento de 75% da população vegetariana nas regiões metropolitanas brasileiras, quando comparada à uma pesquisa feita pelo IBOPE em 2012. Esse número deve ter aumentado nos últimos dois anos, devido ao grande avanço da ciência sobre os benefícios desse tipo de alimentação.

Mais do que uma dieta, o vegetarianismo, principalmente o estrito, ou seja, aquele que não se utiliza nenhum produto de origem animal, é um estilo de vida, que associa a sustentabilidade, saúde, nutrição, a sociedade o respeito pela vida animal. Ele vem ganhando cada vez mais adeptos, inclusive entre praticantes de exercícios físicos e atletas, tanto pelo que preza e proporciona ao organismo, quanto pela sua popularização, em mídias sociais. Conheça um pouco mais sobre os benefícios que a literatura científica associa à adoção do vegetarianismo:

Imunomodulação

Padrões dietéticos com proporções substanciais de energia de fontes vegetais foram associados a biomarcadores favoráveis ​​de inflamação de baixo grau, proporcionando redução das concentrações séricas de proteína C reativa, fibrinogênio e leucócitos totais. Além disso, segundo Tomova et al. (2019), dietas vegetarianas modulam beneficamente a microbiota intestinal, promovendo a síntese de ácidos graxos de cadeia curta, que estão associados com a melhora da integridade da barreira e o aumento da imunidade contra patógenos.

Redução de parâmetros relacionados à Síndrome Metabólica

Lee et al. (2020) demonstraram em uma revisão sistemática e meta-análise que o vegetarianismo promove redução significativa da pressão arterial. Ele também está associado com redução do Índice de Massa Corporal, da circunferência de cintura, LDL-c, triglicerídeos e glicemia de jejum (BENATAR, STEWART, 2018). Assim, a exclusão de produtos de origem animal promove melhora de diversos fatores de risco cardiometabólicos.

Contribui para a performance esportiva

A adoção de uma alimentação com exclusão de produtos de origem animal é benéfica para os esportes de endurance, proporcionando redução de gordura corporal (sem haver redução de peso corporal, demonstrando ganho de massa magra) e do risco de aterosclerose, impactando, ainda, diretamente na performance, já que que alguns estudos revisados demonstram que ela é capaz de aumentar o gasto energético, através da modulação da atividade mitocondrial e da microbiota intestinal. Além disso, estimula um maior VO2 e facilita o armazenamento de glicogênio, otimizando resultados de praticantes de exercícios físico e atletas (BARNARD et al., 2019).

Na prática clínica, estimule seus pacientes a reduzir o consumo de produtos de origem animal, por exemplo, começando pela Segunda Sem Carne. Isso é cuidar da saúde deles, dos animais, do meio ambiente e da sociedade, de forma integrada!

Fonte: E4 Nutrition

 

REFERÊNCIAS

CRADDOCK, J.C. et al. Vegetarian-Based Dietary Patterns and their Relation with Inflammatory and Immune Biomarkers: A Systematic Review and Meta-Analysis. Advances in Nutrition, v. 10, n. 3, p. 433-451, 2019.

TOMOVA, A. et al. The Effects of Vegetarian and Vegan Diets on Gut Microbiota. Frontiers in Nutrition, v. 6, p. 47, 2019.

LEE, K.W. et al. Effects of Vegetarian Diets on Blood Pressure Lowering: A Systematic Review with Meta-Analysis and Trial Sequential Analysis. Nutrients, v. 12, n. 6, p. 1604, 2020.

BENATAR, J.R.; STEWART, R.A.H. Cardiometabolic risk factors in vegans; A meta-analysis of observational studies. PLoS One, v. 13, n. 12, 2018.

BARNARD, N. D. et al. Plant-Based Diets for Cardiovascular Safety and Performance in Endurance Sports. Nutrients, v. 11, n. 1, p. 130, 2019.

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