No período gestacional há muitas alterações hormonais, metabólicas, anatômicas, fisiológicas que são importantes para o corpo se adaptar para o desenvolvimento saudável do feto e para a saúde da mãe. Há uma grande expansão da diversidade microbiana na gestante e estudos relacionam o impacto da microbiota materna no feto e os efeitos futuros na saúde materno-infantil, considerando que suas desordens podem gerar complicações como parto prematuro, morte fetal intrauterina, complicações no desenvolvimento do feto, pré-eclâmpsia, eclâmpsia e complicações na saúde futura do bebê, como descrito por Jordan et., al (2017).

O desenvolvimento do intestino começa na vida intrauterina e sofre influências também no decorrer da vida com fatores ambientais, genéticos, nutricionais, uso de antibióticos, estilo de vida e idade podem modificar a microbiota intestinal.

Existem muitas evidências que a microbiota intestinal tem papel fundamental no quesito saúde-doença e a importância de ser colonizada por uma alta diversidade de bactérias. Essa comunidade microbiana pode exercer respostas pró ou anti-inflamatórias. Seu desequilíbrio pode influenciar no desenvolvimento de comorbidades como obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2.

Segundo estudos (Walker et al.,2017), além dessas doenças, esse desequilíbrio pode também ter um impacto prejudicial no desenvolvimento neurológico no início do crescimento do feto, acarretando problemas mentais no futuro.  Fatores como a alimentação materna, uso de antibióticos durante a gravidez, infecções pré-natais, stress, fatores externos, estão associados a doenças como autismo, déficit de atenção, hiperatividade, esquizofrenia e também podem aumentar a permeabilidade intestinal, permitindo a passagem de bactérias para a corrente sanguínea.

A microbiota vaginal na gravidez desempenha um papel significativo no trabalho de parto. É composta por várias espécies de microrganismos, mas em especial, nesse período, o conjunto predominante é do gênero dos Lactobacillus (Lactobacillus gasseri, Lactobacillus crispatus, Lactobacillus jensenii e Lactobacillus iners), que protegem o organismo de bactérias patogênicas. (Chen et al., 2017).  As infecções podem gerar complicações na gestação, como partos prematuros.

A literatura estuda a possibilidade de haver transmissão microbiana mãe-feto durante a gravidez antes mesmo da transferência no parto vaginal, pois durante o segundo e terceiro mês de gestação o feto ingere fluído amniótico, e consequentemente os microrganismos nele presente, sendo possível encontrar microrganismos no mecônio de neonatos por cesariana. No parto vaginal, a colonização é feita por bactérias do trato vaginal e intestinal, no parto por cesárea, é colonizado por bactérias encontradas na pele.

Estratégias nutricionais para modular a microbiota!

Estratégias para modulação da microbiota tem sido um tema bastante estudado na ciência nutricional, comprovando várias evidências ao decorrer dos anos, como o uso de probióticos em doses adequadas apresentaram efeitos benéficos à saúde do hospedeiro (West et al., 2014). Outro dado muito importante vem de uma meta-análise que evidenciou uma redução de 81% nas infecções genitais em mulheres que tomam probióticos orais (Sohn & Underwood, 2017). Existem também evidências que comprovam que o papel protetor dos probióticos reduzem o risco de doença e mortes em prematuros.

Existem vários probióticos e estirpes atualmente utilizadas, com finalidades diferentes e sua administração pode iniciar antes mesmo da concepção. Um estudo adaptado de Reid et al., (2016) descreve as estirpes probióticas e o momento e objetivo da administração. Como efeitos preventivos pré-conceptivo durante toda a gravidez de recorrência de vaginose bacteriana, redução do risco de diabetes gestacional no 1º trimestre de gestação, redução do risco de eczema atópico nos últimos 2 meses da gravidez, transferência do probiótico através do leite materno 3 semanas antes do parto, redução no risco de doenças alérgicas a partir da 20ª semana de gestação até o nascimento do bebê e nos primeiros 6 meses, até depois do parto e crescimento da criança. Lembrando que há variação de estirpes para cada fase de administração.

Os prebióticos também são fundamentais para colonização e crescimento de bactérias benéficas e para limitar o crescimento de bactérias patogênicas.

Podemos concluir que a microbiota exerce grande influência na gravidez, no período pós-parto, no crescimento da criança. No período gestacional a alimentação interfere muito na saúde da microbiota e o uso de probióticos é uma estratégia de modulação, que além desses benefícios, auxilia também a melhorar a absorção de nutrientes da alimentação oral. Pois muitas vitaminas e minerais são necessários para esse desenvolvimento saudável do feto e para saúde da mãe, levando em consideração que as dosagens são necessariamente aumentadas nesse período.

Referências:

FERNANDES Tadeu., Impactos da microbiota intestinal na saúde do lactente e da criança em curto e longo prazo. 10(1):335. International Journal of Nutrology  (2017)

Teixeira, Ana Isabel., Influência da microbiota na gravidez. Mestrado integrado em ciências farmacêuticas. Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz (2017)

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