Com mais de 2.000 anos de história, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) apresenta diversas aplicações clínicas voltadas para a melhora de quadros desde hipertensão até a modulação antiaging. Assim, para entender melhor o que a MTC pode agregar para a sua prática clínica, elaboramos um guia prático com algumas das principais dúvidas sobre ela, para que você possa iniciar os seus estudos nesta área!

O que é a MTC?

A MTC refere-se à abordagem holística do diagnóstico, da fisiopatologia e da terapia na medicina chinesa, através do uso e prescrição de medicamentos à base de plantas e outros ativos naturais, dietoterapia e acupuntura e outras terapias físicas. Fora da China, a prática é considerada uma forma complementar da medicina moderna. Mas, há exemplos clássicos de como ela pode agregar para a medicina ocidental, como a descoberta da artemisinina, que foi descoberta na China, em 1970, dentro dos preceitos da MTC, fazendo parte, atualmente, do tratamento da malária.

Compreendendo as bases da MTC:

Yin e Yang são conceitos básicos da medicina oriental, sendo considerados opostos e complementares e com interação entre si. O Yin tem características de pouco movimento, frio, enquanto o Yang se caracteriza por elevada atividade, calor. São eles que auxiliam no diagnóstico e tratamento de desordens fisiológicas, emocionais e mentais, já que a MTC entende que as desarmonias no corpo são mudanças no Yin e Yang, devido ao desequilíbrio de energia e, buscando assim, atingir a harmonia integrada para a saúde efetiva.

Além do Yin e Yang, dentro das bases da MTC, o mundo é organizado a partir dos cinco elementos, sendo a eles associados uma estação do ano, uma cor, um sentimento, um sabor, um órgão (todos os órgãos são representados pelo Yin) e uma víscera (todas as vísceras são representadas pelo Yang).

Como a MTC pode ser aplicada na prática clínica?

Dietoterapia:

A MTC pode ser aplicada na hora da elaboração do plano alimentar! Dentro desta ciência, os alimentos possuem características que auxiliam no tratamento de diversas desordens, mas, para saber qual deverão ser prescritos ao seu paciente, é importante saber a propriedade (quente, morno, neutro, fresco, frio), o sabor (amargo, doce, picante, azedo, salgado), a sua função (relação com a desordem), o horário de consumo e a estação do ano dos alimentos.

Suplementos:

Dependendo do objetivo e com exceção de alguns ativos, o padrão mais comum na MTC é a prescrição de fórmulas, com o objetivo de restaurar a homeostase do organismo, melhorando o sintoma principal e os sintomas secundários. Para a elaboração destas, há uma estrutura padrão de ingredientes que deve ser respeitada, tendo sempre um ingrediente principal e outros que irão modular a sua ação e agir de forma integrada, de forma que haja maximização do efeito terapêutico e minimização de possíveis efeitos colaterais.

MTC e embasamento científico – Veja como esta área pode agregar na sua prática clínica:

Di et al. (2019) conduziram uma revisão sistemática e metanálise de estudos clínicos randomizados que associavam algumas terapias da MTC no tratamento da depressão em mulheres no climatério e na menopausa. Como conclusão, o uso de suplementos (como Epimedium brevicornum Maxim, Bupleurum chinense,, Cornus officinalis, Ligusticum chuangxiong, Angelica sinensis, Diels e Anemarrhena asphodeloides), associado à acupuntura, propiciou uma melhora expressiva dos sintomas depressivos, com resultados semelhantes aos dos antidepressivos.

Fonte: E4 Nutrition

REFERÊNCIAS

WANG, J., WONG, Y-K, LIAO, F. What has traditional Chinese medicine delivered for modern medicine? Expert Reviews in Molecular Medicine, v. 20, e4, p. 1–9, 2018.

MA, Y. et al. Traditional Chinese Medicine: Potential Approaches From Modern Dynamical Complexity Theories. Frontiers in Medicine, v. 10, n. 1, p. 28-32, 2016.

TU, Y. Artemisinin-A Gift From Traditional Chinese Medicine to the World (Nobel Lecture). Angewandte Chemie (Int Ed Engl), v. 55, n. 35, p. 10210-10226, 2016.

PUJOL, A. P. (Org.). Nutrição Aplicada à Estética. Rio de Janeiro: Rubio, 2011.

DI, Y. M. et al. Clinical Evidence of Chinese Medicine Therapies for Depression in Women During Perimenopause and Menopause. Complementary Therapies in Medicine, v. 47, 2019.

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