Recentemente, traços do novo coronavírus foram detectados em embalagens de um lote de frango congelado na China, exportado do Brasil e, desde então, a pergunta que não quer calar é: quais as chances de contrair o vírus através das embalagens ou superfícies?

O Ministério da Agricultura esclareceu, em nota, que solicitou explicações à Administração Geral de Alfândega da China (GACC) sobre o caso do frango contaminado e apontou que “segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há comprovação científica de transmissão do vírus da covid-19 a partir de alimentos ou embalagens de alimentos congelados”. Esse caso levantou novos questionamentos sobre a possibilidade de transmissão do novo coronavírus através de embalagens de alimentos.

Em tese, pode ser possível ser infectado pela Covid-19 a partir das embalagens. Segundo estudos realizados em laboratório, o vírus pode sobreviver por horas e até mesmo dias em algumas superfícies, inclusive materiais de embalagens – como papelão e diversos tipos de plásticos. Além disso, o vírus possui uma estabilidade maior em temperaturas mais baixas, forma pela qual muitos alimentos são transportados.

As possibilidades de sobrevivência do vírus nas superfícies

Por outro lado, cientistas questionaram esses resultados e se poderiam ser replicados fora do ambiente do laboratório. Julian Tang, professor associado de Ciências Respiratórias da Universidade de Leicester, no Reino Unido, aponta que, no mundo externo, as condições ambientais se modificam rapidamente, o que significa que existe a possibilidade de o vírus não sobreviver por tanto tanto.

Emanuel Goldman, professor de microbiologia da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, apontou, por sua vez, que os estudos de laboratório utilizaram amostras de até 10 milhões de partículas virais, sendo que o número de partículas virais em uma superfície atingida por um espirro, por exemplo, é menor que 100.

Em um artigo publicado na revista científica The Lancet, em julho, o próprio Goldman esclareceu que: “Na minha opinião, a chance de transmissão por meio de superfícies inanimadas é muito pequena e apenas nos casos em que uma pessoa infectada tosse ou espirra na superfície e outra pessoa toca essa superfície logo após a tosse e o espirro (dentro de uma a duas horas).”.

Como pode ocorrer a transmissão do vírus?

O risco de transmissão do novo coronavírus, geralmente se baseia na suposição de que os trabalhadores contaminados das fábricas de envase dos alimentos, podem ter transmitido o vírus para as superfícies das embalagens após tocarem seus olhos, nariz ou boca. Contudo, os cientistas acreditam que esse caminho de transmissão é bastante improvável.

Segundo a agência de saúde dos Estados Unidos e os Centros de Controle de Doenças (CDC), “Pode ser possível que uma pessoa contraia covid-19 tocando em uma superfície ou objeto que contenha o vírus”. O órgão acrescenta, porém, que “esta não é considerada a principal forma de propagação do vírus”. Na realidade, alguns especialistas se asseguram, cada vez mais, de que o novo coronavírus se dissemina, de maneira direta entre pessoas, das seguintes formas:

– Contato próximo (de 2 metros).

– Por gotículas produzidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala.

– Quando as gotas caem na boca ou nariz de pessoas próximas ou são inaladas pelos pulmões.

Tang aponta que, com isso, seria difícil provar que algum indivíduo contraiu o vírus através de uma embalagem. Conforme o professor, para isso, seria preciso “excluir qualquer exposição recente de qualquer outra fonte”, incluindo contatos sociais assintomáticos, para ter certeza de que a exposição relacionada à embalagem de alimentos seria a verdadeira causa da infecção.

Como se prevenir

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alega que não existe nenhum caso de Covid-19 confirmado que tenha sido transmitido por alimentos ou embalagens, contudo, uma lista de precauções devem ser seguidas para evitar a contaminação cruzada.

O órgão ainda recomenda que não é necessário desinfetar as embalagens dos alimentos, mas sim as mãos, que devem ser higienizadas após o manuseio dessas embalagens e também dos alimentos, antes das refeições. Há, ainda, a recomendação de desinfetar as mãos antes de entrar em lojas e supermercados e também quando voltar para casa, antes e após manusear e armazenar os produtos.

A entrega em domicílio não deve ser motivo de preocupação, conforme a entidade, desde que o entregador siga as boas práticas de higiene pessoal e alimentar. Mas é recomendável lavar as mãos após receber entregar de alimentos. Alguns especialistas recomendam, ainda, o uso de sacolas plásticas apenas uma vez.

Fonte: UOL

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