A ideia é restaurar o conhecimento ancestral sobre os frutos, suas formas de consumo e, assim, ajudar pequenos agricultores na identificação e comercialização de novos produtos.

Patrícia de Medeiros é a etnobotânica que conduziu o estudo pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL), coordenando um projeto de pesquisa para popularizar as plantas alimentícias não convencionais (Pancs), como o araçá-do-mato, cambuí e jenipapo, que podem soar estranhos para muitas pessoas, mas que fazem parte da alimentação cotidiana de comunidades tradicionais da região de Maceió e poderiam ser inseridas na dieta de toda a população.

A pesquisadora foi a única brasileira premiada na edição de 2020 do prêmio For Women in Science, promovido pela empresa francesa L’Oréal em parceria com a Unesco. Eleita na categoria International Rising Talents, ao lado de outras 14 pesquisadoras, Patrícia receberá uma bolsa-auxílio no valor de R$ 75 mil, somados aos R$ 50 mil que ela já havia recebido em 2019, na edição nacional do mesmo prêmio.

Esse dinheiro custeará as idas à campo e compras de equipamentos. “Temos um desafio ainda maior porque estamos com pouca verba pelos órgãos públicos para pesquisa”, comenta Patrícia, que deseja cobrir uma lacuna entre o conhecimento ancestral relacionado às Pancs. O araçá-do-mato, por exemplo, pode ser consumido in natura e em sucos ou sobremesas, já o cambuí pode ser consumido direto do pé, tal como jenipapo, que pode virar geléia. 

O prêmio em questão, além de reconhecer talentos ascendentes na ciência, também homenageia cinco cientistas, uma de cada continente, considerando suas pesquisas e trajetória profissional, oferecendo uma bolsa-auxílio equivalente a R$ 520 mil. Em 2020, a representa da África e Oriente Médio é Abla Sibai, libanesa cuja pesquisa é sobre o envelhecimento saudável em países de renda média a baixa.

No Brasil, foi lançada este ano uma iniciativa que objetiva dar mais visibilidade ao trabalho de mulheres na ciência, o Open Box da Ciência, elenca 250 pesquisadoras de destaque no país. Giulliana Bianconi, diretora da Gênero e Número, responsável pela elaboração da plataforma, o campo científico está longe de ser o ideal para as mulheres.

Contudo, acredita que existem perspectivas positivas, como o fato de que há uma maior presença de mulheres em áreas que anteriormente eram dominadas por homens, como o caso das ciências exatas. “Já existe, entre essas protagonistas, um discurso sobre precisar ser referência [para outras mulheres] e querer trabalhar para isso”, comenta Bianconi.

Fonte: Folha de S.Paulo

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