A obesidade como fator de risco para uma maior gravidade da COVID-19 em pacientes com doença hepática gordurosa metabólica

Autores: Zheng, K. I., Gao, F., Wang, X. B., Sun, Q. F., Pan, K. H., Wang, T. Y., Ma, H. L., Chen, Y. P., Liu, W. Y., George, J., & Zheng, M. H. 

Revista: Metabolism: Clinical and Experimental

Dados preliminares sugerem que a obesidade pode aumentar a gravidade de doenças respiratórias e da COVID-19. Pacientes com doença hepática gordurosa metabólica (DHGM), anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica, são frequentemente obesos e têm fatores de risco metabólicos que podem se traduzir em um risco maior para o pior desfecho das doenças respiratórias. Atualmente, não se sabe se os pacientes com DHGM também são mais propensos a ter um maior risco para o pior desfecho da COVID-19 e assim, este estudo investiga a associação entre a DHGM e a gravidade da COVID-19.

Foram inscritos consecutivamente 214 pacientes com COVID-19 confirmado em laboratório, com idades entre 18 e 75 anos, de três hospitais em Wenzhou (China), entre 17 de janeiro de 2020 e 11 de fevereiro de 2020, sendo que a idade média foi de 47 anos e 74,2% dos participantes eram do sexo feminino. Todos os pacientes foram submetidos a triagem de esteatose hepática por tomografia computadorizada e posteriormente diagnosticados como DHGM, de acordo com um conjunto recente de critérios de diagnóstico de consenso. Sessenta e seis pacientes com DHGM e COVID-19 foram incluídos nas análises e dividido em dois grupos: aqueles com obesidade (n = 45) e aqueles sem (n = 21). Todos os pacientes receberam tratamento padrão com base no COVID-19. Este estudo foi aprovado pelos conselhos locais de ética nos três hospitais. A gravidade da COVID-19 foi classificada de acordo com as diretrizes. Marcadores sanguíneos de rotina foram coletados, assim como informações demográficas e histórico médico passados de todos os pacientes incluídos neste estudo. Os primeiros parâmetros laboratoriais foram testados no primeiro dia de internação hospitalar. A classificação de obesidade foi definido como Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 25 kg/m². Diabetes, hipertensão e dislipidemia foram definidos conforme os critérios padrões. Todos os pacientes negarao histórico de doença pulmonar crônica obstrutiva ou restritiva. 

O IMC médio para os pacientes não obesos e obesos foi 22,7 ± 2,1 kg/m² e 28,3 ± 3,2 kg/m², respectivamente. Comparado com o grupo não obeso, os obesos apresentaram níveis sanguíneos mais altos de aspartato aminotransferase, glicose, colesterol LDL e menor contagem de linfócitos. Notavelmente, pacientes com DHGM que foram classificados como obesos, tinham a COVID-19 em sua forma mais grave (37,5% vs. 9,5%, p = 0,021). Havia 47 pacientes (71,2%) com COVID-19 não grave e 19 (28,8%) com COVID-19 grave. Comparados àqueles com COVID-19 não grave, pacientes com a COVID-19 grave eram mais obesos (89,5% vs. 59,6%, p = 0,021). Eles também eram mais fumantes (26,3% vs. 6,4%, p = 0,038) e tiveram concentrações mais elevadas de proteína-C reativa e menor número de linfócitos. A presença de obesidade em pacientes com DHGM foi associada a um risco aumentado em aproximadamente 6 vezes de COVID-19 na sua forma mais grave. Notavelmente, essa associação com obesidade e gravidade do COVID-19 permaneceu significativa mesmo após o ajuste para idade, sexo, tabagismo, diabetes, hipertensão e dislipidemia. Os resultados mostram que em pacientes com DHGM, com confirmação laboratorial de COVID-19, a presença de obesidade aumenta acentuadamente o risco de ter a forma mais grava de doença. Essa associação permaneceu significativa após o ajuste para prováveis ​​fatores de confusão. Isso mostra que o risco da presença de obesidade, em pacientes com DHGM que desenvolvem a forma mais grave da COVID-19, é significantemente maior.

Contudo, os mecanismos virológicos e fisiológicos subjacentes à relação que observados não é esclarecida pelos dados atuais. A síndrome da resposta inflamatória sistêmica, uma complicação comum na COVID-19 grave, é promovida pela ativação dos monócitos inflamatórios CD14 + e CD16 +, que produzem uma quantidade maior de interleucina (IL)-6 e outros fatores pró-inflamatórios. Isso sugere que a IL-6 é o principal fator pró-inflamatório que desencadeia a “tempestade” inflamatória em pacientes com a forma mais grave da COVID-19. Nos pacientes com DHGM, particularmente aqueles com obesidade, o aumento da atividade inflamatória no fígado e a gordura visceral são independentemente correlacionados com o aumento dos níveis de IL-6, o que pode ter um papel adicional ou sinérgico na promoção de maior gravidade da COVID-19. Pode ser que a secreção de hepatocinas, por exemplo, reduza a adiponectina ou altere a secreção de mediadores lipídicos inflamatórios em obesos com DHGM, o que podem contribuir para a correlação observada neste estudo.

Estudos adicionais serão necessários para confirmar esses resultados, de forma a entender melhor os mecanismos subjacentes às correlações observadas. Em conclusão, nossos dados demonstram que o risco de obesidade para a COVID-19 em sua forma mais grave, é maior naqueles com, do que naqueles sem DHGM.

CONFLITO DE INTERESSE

Os autores declaram não haver conflito de interesse.

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