Coronavírus interdita frigoríficos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina

A ação ocorreu após o Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizar casos do novo coronavírus em 19 frigoríficos do Rio Grande do Sul e, em pelo menos 6 de Santa Catarina.

Com quase 15,5 mil casos confirmados em trabalhadores de estabelecimentos do setor até a semana passada em 16 municípios gaúchos, o MPT interditou três unidades frigoríficas nos dois estados. “O Rio Grande do Sul e a região oeste de Santa Catarina respondem pelo maior número de casos de novo coronavírus em frigoríficos no País”, afirma a procuradora do Trabalho Priscila Schvarcz, gerente nacional adjunta do MPT para adequação das condições de trabalho em frigoríficos.

Schvarcz comenta que a vulnerabilidade dos estabelecimentos desse setor do novo coronavírus se torna um fenômeno mundial. Uma das razões destacadas pelo ministério para isso, estão o grande volume de trabalhadores nas plantas, a proximidade entre funcionários na linha de produção e o sistema de refrigeração, que reduz a taxa de renovação do ar.

Desde o início da pandemia, procuradores do trabalho instauraram 30 inquéritos civis e ajuizaram três ações civis públicas relacionadas a suspeitas de irregularidades em empresas do ramo. No Rio Grande do Sul, dois frigoríficos foram interditados. Em Passo Fundo, uma unidade da JBS suspendeu suas atividades por determinação do Tribunal Regional do Trabalho e, em Lajeado, uma planta da BRF também fechou as portas por decisão do do Tribunal de Justiça do Estado.

Dentre as 20 regiões monitoradas para a pandemia do estado do Rio Grande do Sul, Passo Fundo e Lajeado são as que apresentam as maiores taxas de mortalidade por 100 mil habitantes. Além de serem as duas que apresentam as maiores incidências cumulativas de hospitalizações pela COVID-19. Também em Lajeado, um frigorífico da Companhia Minuano, reduziu os abates em 50% por determinação do Tribunal de Justiça.

“Se tivéssemos lá atrás diminuído o fluxo de trabalhadores, talvez não estivéssemos sob interdição. Esperamos que a empresa tome providências. Entre a vida e o trabalho, vamos defender sempre a vida. Podemos voltar ao trabalho amanhã ou depois”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Passo Fundo, Miguel Luis dos Santos.

Em Santa Catarina, o frigorífico de aves da Seara Alimentos, do grupo JBS, em Ipumirim foi interditado após 86 dos cerca de 1,5 mil funcionários, testarem positivo para a COVID-19. Esse percentual representa cerca de 5% dos trabalhadores da planta e totaliza 14% dos contaminados em toda a macrorregião oeste e serra, além de 2% de todos os casos do estado.

“Além do frigorífico de Ipumirim, há casos confirmados do novo coronavírus em no mínimo quatro plantas de Chapecó e uma de Concórdia”, afirmou a procuradora procuradora Priscila Schvarcz. As interdições tomaram caráter administrativo e cautelar, possibilitando à empresa recorrer à Superintendência Regional do Trabalho, mas não permite a retomada das atividades.

 Fonte: New Trade

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