Estudos pré-clínicos selecionados sugeriram que os inibidores do RAAS podem aumentar a expressão da ACE2, levantando preocupações sobre sua segurança em pacientes com Covid-19

Condições pré-existentes de saúde, como hipertensão, têm sido consistentemente relatadas entre pacientes com COVID-19 que apresentam sua forma mais severa, (aqueles que forma admitidos na unidade de terapia intensiva, receberam ventilação mecânica ou chegaram a óbito), diferentemente dos pacientes acometidos com a forma mais leve da infecção. Há preocupações de que o tratamento medicamentoso prévio dessas condições coexistentes, incluindo o uso de inibidores do Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona (SRAA), poderia ter contribuído para os resultados adversos à saúde observados. Assim, muitos médicos e pacientes optaram pela substituição de medicamentos inibidores do SRAA que vinham sendo ministrados no tratamento da hipertensão.

No dia 30 de março o The New England Journal of Medicine, publicou um relato especial em sua edição eletrônica, procurando colocar a situação descrita sob uma perspectiva científica. 

Dado o uso comum de inibidores da ECA e bloqueadores de receptores de angiotensina (BRA) em todo o mundo, são urgentemente necessárias orientações sobre o uso desses medicamentos em pacientes com Covid-19. Relatos iniciais colocam a hipertensão arterial como fator de risco isolado em pacientes com Covid-19. Na maioria das séries de casos da China durante a pandemia, a hipertensão foi a condição coexistente mais frequente em 1099 pacientes, com prevalência estimada de 15%.

Os estudos pré-clínicos selecionados sugeriram que os inibidores do RAAS podem aumentar a expressão da ACE2, levantando preocupações sobre sua SEGURANÇA em pacientes com Covid-19.

Foi postulado, mas não comprovado, que a atividade inabalável da angiotensina II pode ser em parte responsável pela lesão de órgãos na Covid-19.

Segundo o artigo, a infecção e replicação viral continuada contribuem para a expressão reduzida de ACE2 da membrana, pelo menos in vitro. A regulação negativa da atividade da ACE2 nos pulmões facilita a infiltração inicial de neutrófilos. Até o momento, o que existe é insuficiente   para determinar se essas drogas (iECA e BRA) são indutoras de formas graves em seres humanos e nenhum estudo avaliou os efeitos dos inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAAS) na Covid-19.

Faltam dados mostrando os efeitos dos inibidores da ECA e BRA na expressão específica da ACE2 nos pulmões em modelos experimentais de animais e em humanos. Ensaios clínicos estão acontecendo para testar a segurança e eficácia dos moduladores de RAAS, incluindo ACE2 humano recombinante e bloqueadores dos receptores de angiotensina como o losartan e derivados na Covid-19.

Até que dados adicionais estejam disponíveis, o artigo recomenda que os inibidores do SRAA devam ser mantidos em pacientes em condições estáveis que estejam sob risco, ou que estejam sendo avaliados, ou mesmo entre portadores de COVID -19.

Fonte: NEJM

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