Recomendações Nutricionais para o paciente oncológico durante a pandemia do Coronavírus (COVID-19) – Grupo de Oncologia (BRASPEN)

Com a declaração da OMS no dia 11 de março de 2020, houve um crescimento significativo nas informações científicas, ou não, sobre a infecção pelo novo coronavírus, seus efeitos, possíveis formas de tratamento e de prevenção. A nutrição foi citada por diversas vezes. 

Diante da necessidade da população por informações corretas, sobre como se prevenir e se comportar contra o COVID-19, o Conselho Federal de Nutrição emitiu uma nota oficial com recomendações informando que “não existem protocolos técnicos nem evidências científicas que sustentem alegações milagrosas” 

Neste momento, segundo o CFN a melhor conduta é a adoção rigorosa das medidas preventivas e protetivas indicadas pelo Ministério da Saúde, não adotar promessas milagrosas envolvendo alimentos e terapias nutricionais, acessar informações sobre alimentação de fontes confiáveis, conhecer o Guia Alimentar para a População Brasileira e procurar um profissional nutricionista para orientação nutricional.

Dentro deste contexto, a BRASPEN/SBNPE (Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral), publicou em seu site oficial as recomendações nutricionais para o paciente oncológico frente a pandemia, já que pacientes em tratamento se encontram no grupo de risco para o COVID-19, devido a predisposição à uma possível maior gravidade da infecção. 

Sabe-se que pacientes com câncer apresentam redução significativa do sistema imunológico em decorrência da própria doença, pelo resultado imunossupressor dos tratamentos propostos, intervenções cirúrgicas, quimioterapia, uso de cortisona, transfusões sanguíneas, radioterapia e transplante. 

Segundo o posicionamento da BRASPEN, os relatos da assistência nutricional ao paciente oncológico neste momento ainda são escassos por isso, o grupo reuniu as publicações encontradas até o momento sobre nutrição e COVID-19 e as associou às condutas geralmente recomendadas, a fim de instruir os profissionais que atuam de frente com esta população. 

Confira alguns pontos importantes abordados no parecer publicado pela BRASPEN:

Segurança alimentar:

– Importante reforçar as medidas de segurança alimentar, como cuidados na higienização e armazenamento dos alimentos.

– Realizar a desinfecção de frutas, legumes e verduras com hipoclorito de sódio, cloro orgânico ou outro produto semelhante.

– Evitar estocagem de grandes quantidades de alimentos. Se não houver um controle sobre a quantidade de comida na residência pode ocorrer descontrole com a data de validade dos alimentos e criar um ambiente propício a disseminação de patógenos alimentares.

– Reforçar os cuidados de higiene no preparo das refeições: lavagem de mãos, manter as unhas curtas, limpeza frequente do ambiente em que se realiza o preparo e recolha constante do lixo.

Alimentação e suplementação via oral:

– Por se tratar de uma população com a ingestão alimentar prejudicada devido a patologia de base devemos manter uma vigilância constante.

– Manter a suplementação usualmente utilizada.

– Fortalecer a alimentação via oral diversificada, baseada em refeições que contenham os todos grupos alimentares e associem micronutrientes (minerais e vitaminas) e substâncias bioativas (não nutrientes), respeitando os efeitos colaterais do tratamento.

– Não indicar “superalimentos”, shots, sucos ou soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes (vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e outros nutrientes e compostos) como formas de prevenção ou combate ao coronavírus, excluindo as medidas preventivas.

Fonte: BRASPEN

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