A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o surto do coronavírus (SARS-CoV-2) como pandemia e o vírus causador da doença COVID-19, colocou o Brasil em estado de alerta, buscando ações preventivas por meio de orientações de comportamento.

Diante deste cenário, o Conselho Federal de Nutricionistas (CNF) emitiu uma nota oficial para relembrar um alerta sobre o Guia Alimentar para a População Brasileira, que conta com diversas informações relacionadas à alimentação e saúde, mas com poucas delas de fontes confiáveis. Além disso, o órgão aponta a preocupação com informações que circulam nas redes sociais e oferecem orientações sobre supostas terapias “milagrosas” na área de nutrição.

Alimentos, superalimentos, shots, sucos e até mesmo soroterapias por infusão endovenosa de nutrientes, como vitaminas, minerais, aminoácidos, antioxidantes e outros nutrientes e compostos, passaram a ser divulgados como capazes de atuar na prevenção ou no combate ao coronavírus, o que aconteceria por meio do fortalecimento do sistema imunológico.

Sobre isso, o CFN ressalta a inexistência de protocolos técnicos e de evidências científicas que sustentem essas alegações milagrosas. Afirma que, certamente uma alimentação rica em micronutrientes – vitaminas e minerais – atrelada a substâncias bioativas – não nutrientes – presentes nos alimentos que possuem atividade de redução do risco de doenças, quando e se utilizados de forma habitual, podem condicionar o sistema imunológico a trabalhar de forma mais eficiente e com menor risco de doenças. Contudo, é importante conscientizar-se de que esses hábitos não livram a população da responsabilidade de adotar medidas preventivas recomendadas pelos órgãos de saúde.

A alimentação saudável é dependente da diversidade alimentar, não de supostos superalimentos isolados. Além disso, deve ser adequada a cada indivíduo conforme a assistência prestada por um nutricionista. A prescrição dietética pelo nutricionista envolve o plano alimentar e deve ser elaborado com base em diretrizes estabelecidas no diagnóstico nutricional, que envolve a identificação e determinação do estado nutricional de cada paciente que, por sua vez, será elaborado com base na avaliação do estado nutricional e ao longo do acompanhamento nutricional.

 

As recomendações do CFN

  • À população em geral: 1) adotar rigorosamente as medidas de prevenção e proteção ao coronavírus que são recomendadas pelo Ministério da Saúde; 2) fugir de promessas milagrosas que envolvam alimentos e terapias nutricionais; 3) acessar informações sobre alimentação a partir de fontes confiáveis; 4) conhecer o Guia Alimentar para a População Brasileira; e, 5) se desejarem orientação nutricional, buscar um profissional habilitado em nutrição.
  • Aos nutricionistas, nos termos do Código de Ética e Conduta: 1) analisar criticamente questões técnico-científicas e metodológicas sobre práticas, pesquisas e protocolos divulgados; 2) manter-se atualizados; 3) observar seu dever de, ao compartilhar informações sobre alimentação e nutrição, nos diversos meios de comunicação e informação, ter como principal objetivo promover a saúde e a educação alimentar e nutricional, de forma crítica e contextualizada, com respaldo técnico-científico; 4) a todos os que se mantiverem atuando, orientar seus clientes em relação à importância de respeitar as medidas preventivas e protetivas ao coronavírus que são indicadas pelas autoridades sanitárias; 5) aos que se mantiverem atuando profissionalmente, atender às orientações das autoridades sanitárias sobre a proteção individual e possibilidades de quarentena e; 6) aos profissionais que pretendem manter o atendimento clínico não presencial, atentar-se ao Art. 36 da Res./CFN 599/2018;

*Em tempo: Para assegurar a prestação da assistência nutricional  no dia, 18 de março de 2020, o CFN resolveu, em caráter excepcional, SUSPENDER até o dia 31 de agosto de 2020 o disposto no artigo 36 da Resolução CFN nº 599, de 25 de fevereiro de 2018, que aprova o Código de Ética e de Conduta dos Nutricionista.  Assim, vale resaltar que até o próximo dia 31 de agosto de 2020 a primeira consulta poderá ser realizada via on-line, ou seja, de forma não presencial,  cabendo ao profissional decidir qual melhor conduta a ser adotada diante da individualidade e necessidade de cada paciente.

  • Aos governantes: fortalecer políticas de segurança alimentar e nutricional voltadas à garantir a alimentação adequada e saudável para a população, sobretudo aos que se encontram em situação de vulnerabilidade social, neste momento cujas medidas de isolamento social podem comprometer a renda familiar e limitar o acesso a alimentos de qualidade em quantidade suficiente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais.

Com tais recomendações, o intuito do CFN é de cumprir seu papel de servir à população e oferecer orientações à categoria. Assim como o papel da Revista Nutri On-Line é de difundir informações importantes para atualizar o profissional sobre o universo da nutrição

 

Fonte: CFN

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