Nos últimos anos, o microbioma tem recebido atenção na literatura científica, pois cada vez mais se comprova sua relação direta com saúde e doença. As investigações sobre microrganismos intestinais se concentravam apenas em doenças infecciosas, contudo, os avanços da ciência apontaram que a microbiota saudável se associa significativamente com a prevenção de doenças crônicas e metabólicas.

Uma grande escala de estudos relata que as mudanças na microbiota influenciam no desenvolvimento de obesidade, diabetes, doenças hepáticas e até mesmo desordens neurodegenerativas e câncer. Entre 2013 e 2017, o número de publicações com foco na microbiota representou cerca de quatro quintos do número total de trabalhos nos últimos 40 anos que apresentavam investigações sobre esse assunto. O trato gastrointestinal (TGI) é composto por uma população complexa e dinâmica de microrganismos, que desempenha funções na manutenção da homeostase imune e metabólica.

As células epiteliais que se encontram no TGI têm como papel a tradução de informações importantes para as células imunológicas localizadas na própria mucosa do intestino. O reconhecimento e o monitoramento são realizados especialmente pelo sistema inato com receptores padrões (PRRd), como o mais conhecido Toll-like receptors e receptores semelhantes a NOD. A sinergia desses receptores é essencial para reconhecer os padrões moleculares associados a patógenos (PAMPs) de microrganismos, entre eles, os lipopolissacarídeos, peptidoglicanos, flagelina, entre outros. Dessa forma, destaca-se que o TGI abriga não apenas uma infinidade de micróbios do corpo humano, mas, também, é o local de maior concentração de células da imunidade.

Os receptores citados anteriormente reconhecem não só os constituintes das membranas bacterianas relacionados ao sistema imune inato, mas também os metabólitos microbianos que influenciam o metabolismo humano pela ligação a receptores nucleares. A microbiota produz numerosos componentes que influenciam na homeostase, com destaque ao folato, ácidos biliares secundários e trimetilamina-N-óxido (TMAO), além de neurotransmissores como serotonina e ácido gama-aminobutírico e de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), sendo o grupo de metabólitos mais estudado na ciência.

Em relação a funcionalidades fisiológicas, estudos demonstram que os AGCCs, principalmente butirato e propionato, são reconhecidos por receptores acoplados à proteína G (GPR-41 e GPR-43). O estímulo desses receptores promove a secreção de peptídeos intestinais associados ao metabolismo glicêmico, sendo o mais conhecido peptídeo-1 semelhante ao glucagon ou peptídeo YY.  Ainda, o propionato exerce um papel essencial na regulação imunológica, sobretudo, na redução no processo proliferativo de células cancerígenas. Diante disso, é preciso evidenciar que as terapias relacionadas à modulação do microbioma intestinal devem ser assertivas e integradas para que se alcance resultados positivos na promoção da saúde da população.

Fonte: Blog científico GF

 

REFERÊNCIAS

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HADRICH, D. Microbiome Research Is Becoming the Key to Better Understanding Health and Nutrition. Front Genet., v. 9, n. 212, p. 1-10, 2018.

LAWRENCE, K; HYDE, J. Microbiome restoration diet improves digestion, cognition and physical and emotional wellbeing. PLoS One, v. 12., n. 6, 2017.

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