Comprometida em difundir o conhecimento acadêmico, a nutricionista responsável pelo projeto visa formar mulheres para lidar com processos da agricultura sustentável

Angélica Margarete Magalhães é nutricionista e vencedora da edição de 2019 do Prêmio Destaque Profissional, em Mato Grosso do Sul. Além disso, é professora e uma das pesquisadoras da Incubadora de Tecnologias Sociais e Solidárias da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD). Angélica é empenhada em difundir o conhecimento produzido no meio acadêmico, por isso, participa de um projeto que visa o fomento do cultivo agroecológico de hortaliças em comunidades de pequenos agricultores da região da Grande Dourados, interior sul mato-grossense.

O projeto contribui para a formação de mulheres das comunidades do Assentamento Lagoa Grande, do Quilombo Picadinha e da aldeia Jaguapiru. Professores e estudantes de graduação e pós-graduação desenvolvem uma rede transversal de aprendizagem, incluindo técnicas de cultivo, desenvolvimento de receitas com ingredientes da região e a capacitação para comercializar os produtos.

“Elas plantam, aumentam a produtividade e a diversidade de produtos. Melhoram a alimentação, na família e na comunidade. Elas também geram excedente, e são capacitadas para comercializar esses excedentes seja in natura, seja transformados (pães, conservas, doces, compotas)”, diz Angélica.

O grupo de pesquisa seleciona famílias participantes dos ciclos de formação, que duram cerca de dois anos. As mulheres realizam atividades em uma horta didática, além de receberem treinamento para produzir adubo orgânico e orientações para o aproveitamento integral das plantas, aprendendo também sobre o desenvolvimento de preparações culinárias e receitas típicas, que são adaptadas para gerar maior qualidade nutricional.

As receitas passam por testes sensoriais para aprovação e entram no cardápio do restaurante-escola da UFGD, que serve pratos preparados com insumos das propriedades atendidas pelo projeto em algumas refeições semanais. Angélica avalia que o impacto do projeto nas comunidades é avaliado de maneira contínua e longitudinal.

“Pesquisas acadêmicas sobre o o impacto das ações mostram mudança nos hábitos alimentares, e temos resultados interessantes na melhora da insegurança alimentar e nutricional, no uso racional dos produtos, na diversidade das preparações culinárias da família com aumento de opções de frutas e hortaliças”, completa.

Angélica é nutricionista e mestre em agroecossistemas, além de doutora em agronegócios. Foi vencedora do Prêmio Destaque Profissional 2019, do CRN-3 na categoria Nutrição no Ensino, Pesquisa e Extensão, e destaque a aprendizagem como uma via de mão dupla:

“aprendi muito com relação aos saberes ancestrais. Elas trazem plantas que os acadêmicos não conhecem, como o inhame roxo e o palmito do tronco da bananeira”, finaliza.

Fonte: CRN-3

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