Terrorismo nutricional e o impacto na vida de seus pacientes por Karina Abbud

Fiquem calmos e vamos conversar um pouco sobre esse TERRORISMO NUTRICIONAL que está rondando a vida de muita gente.

Com a alimentação sendo centro das atenções em muitas redes sociais, onde-se apresentam milagres , dietas restritivas sem acompanhamento, microbiota do magro,  capsulas de bumbum empinado e barriga chapada entre outros milagres. Vemos muitas pessoas dissipando informação com “respaldo” de artigos científicos mal interpretados, mas mesmo assim disparam para população uma suposta verdade, com fotos perfeitas, mas esquecendo de que cada um tem sua individualidade, e como minha mãe dizia quando eu era criança:

“ você não é todo mundo então não se comporte como tal”

Vivemos um paradoxo hoje: “Nunca se falou tanto de nutrição, nunca se falou tanto de dieta e nunca teve tantos problemas de peso e tanto mal-estar com a comida.” Sophie Deram Ph.D. Eu concordo com isso, mesmo com tanta informação estamos observando índices maiores de obesidade e transtornos alimentares.

Fazer dieta restritiva desregula o cérebro! Aumenta o comer emocional, aumenta o risco de desregular o centro do apetite, aumenta o risco de ter compulsões ou desenvolver um transtorno alimentar, além de engordar a longo prazo, quem nunca teve “efeito sanfona” após uma dieta da moda?

Nesses 15 anos de atendimento, escuto muito perguntas sobre: o que comer, o que é bom ingerir, e o que se deve optar. Raramente as pessoas pensam no que realmente querem, dentro do seu objetivo e estilo de vida.

Acontece que nos fizeram acreditar que tudo o que é gostoso faz mal e tudo o que é saudável não é saboroso, e então ao estabelecermos critérios do que é bom e ruim, certo e errado e do que pode ou não pode, estamos vulneráveis a nos sentirmos culpados, dependendo das escolhas que fizermos.

Enquanto formos rígidos com esses critérios, certamente estaremos passíveis de arcar com o sentimento de culpa. E essa culpa ao comer atrapalha nossa saúde física, mental e social.

Você precisa fazer escolhas que estão alinhadas ao seu estilo de vida e ao seu objetivo sim, mas é saudável que exceções sejam abertas para justificar as regras. É muito importante para nossa saúde conectar mente e corpo, identificar adequadamente fome e saciedade, lembrar que tudo posso, mas nem tudo me convém e comer sem culpa. A culpa ao comer pode inclusive aumentar o risco de você engordar pois faz com que você coma mais rápido e em maiores quantidades sem perceber. Ainda, ela pode te fazer comer por punição, fortalecendo assim o ciclo da compulsão, gerando ainda maior estresse.

Como a nutricionista pode contribuir com a melhora desse quadro?

Aplicando técnicas de Mindfulness, que auxiliará o paciente fazer o ato da alimentação não ser uma simples reposição de energia e nutrientes, mas sim um ato de real prazer. Além disso, ajudando os pacientes a sair do automático e parar de utilizar o alimento como forma de compensação para as frustrações, e como uma válvula de escape emocional, para aplacar nossas dores.

Deixo aqui algumas dicas para você não pecar em sua consulta:

  • Preste atenção no que seu paciente está falando, sem julgamentos;
  • Pratique a empatia: coloque-se no lugar do outro e tente achar os gatilhos que desencadearam o pavor por certos alimentos;
  • Peça para que seu paciente anote o que está pensando e sentindo no momento em que se alimenta.

Com a prática do mindfulness, você cultiva a possibilidade de libertar-se de padrões reativos habituais, promovendo assim, o equilíbrio, a escolha, a sabedoria e a aceitação das coisas como elas são.

Então te convido a mudar suas atitudes, balancear suas prioridades e tornar o ato de alimentar-se um prazer unido de conexão, educação e cuidado, fazendo com que todo seu sistema funcione adequadamente. Quando você come de forma consciente, com prazer e sem culpa, não se priva do que gosta, come menos ao longo do tempo e aprende a saborear aquilo que está degustando.

 

Dra. Karina Abbud

 

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