A economia circular é um movimento múltiplo que envolve diversos setores e atores em busca de um processo que preserva o meio ambiente.

A palestra de Carla Tennenbaum durante o Sustainable Foods Summit falou sobre a economia circular, um modelo totalmente contrário ao que adotamos hoje, a economia linear.

No modelo linear, trabalhamos com desperdício, escassez de insumos e a concepção de produtos tóxicos em todos os setores e indústrias. Por outro lado, a economia circular adota uma lógica contrária que segue três princípios: manter o valor em circular; fazer isso de maneira intencional desde o momento da concepção do produto; e pensar sempre na regeneração do sistema.

Isto deve acontecer por meio de ciclos, primeiramente os ciclos ecológicos, que partem da premissa de que tudo o que vem da bioesfera deve retornar a ela, e os ciclos técnicos, que significam que tudo o que vem da indústria também retorne a ela e não contamine a bioesfera.

A natureza, por si só, é um sistema circular, tudo o que é resíduo gerado nela é alimento, então não existe lixo e essa já é uma indústria em expansão que emprega mais de um bilhão de pessoas.

Porém, devido à intervenção humana, ao invés de as indústrias imitarem o sistema circular da natureza, é ela quem se torna linear, o que acarreta diversos problemas, conforme demonstram alguns relatórios.

O relatório do Forum For The Future, aponta que, para cada dólar gasto com comida, dois dólares são gastos em custos relacionados a desperdícios, aos prejuízos com a saúde da população, à degradação dos solos, à contaminação das águas – que são afetadas por agrotóxicos e pesticidas -, custos sobre mudanças climáticas, entre outros. Um estudo evocado durante a palestra, demonstrou que, nos EUA, para cada kcal de comida gerada, são queimadas 13 kcal de petróleo.

A partir desse cenário, Tennenbaum começa a levantar algumas soluções, como os fóruns de comida regenerativa, ações locais e ideais que buscam reduzir o desperdício, o consumo de produtos mais saudáveis. Por outro lado, aponta que um dos principais desafios para construir essa cadeia circular, é o fato de que não existem critérios claros para definir o que é sustentável.

Isso faz com que a maioria das empresas tragam abordagens quantitativas, isto é, buscando a eficiência a fim de reduzir os impactos negativos por meio da quantificação dos impactos hoje para reduzi-los amanhã. Uma ideia que, quase sempre, está associada a uso de “menos”, menos insumos, menos processos, etc., uma ideia não tão inspiradora para essas empresas e pouco eficiente também no sentido dos impactos.

Esse “menos” não modifica os métodos, mas somente reduz a velocidade com que os impactos ruins, inevitavelmente serão alcançados. A ideia do circular é justamente modificar o sistema, o que deve acontecer por meio de abordagens qualitativas em que se deixa para trás a ideia de menos e da redução do impacto negativo e adota-se a efetividade, colocando intenção e objetivo, sendo esse de alcançar a qualidade, pensar onde se deseja chegar. Nesse processo, não apenas os impactos negativos são efetivamente reduzidos, como também os impactos positivos podem ser mensurados, o que se torna uma missão muito mais inspiradora.

Para a economia circular, a palestra trouxe então três princípios de C2C: o resíduo que vem da natureza é alimento, portanto, ela não produz lixo; é necessário utilizar fontes de energia renováveis; e, é necessário celebrar a diversidade. Portanto, para adotar a economia circular é preciso utilizar materais desenhados, desde o início, para circular, bem como processos criados para favorecer e proporcionar essa circulação.

Além disso, para devolver à natureza seu aspecto circular e adotá-o também na indústria, algumas ações foram destacadas como cases de sucesso. Por exemplo, os bancos de alimentos, no campo da redistribuição de resíduos. Há também um aplicativo chamado “comida invisível”, que mostra como controlar o desperdício, que acontece: 10% na produção, 30% durante o transporte, 10% nos domicílios e a maior parte nos supermercados, pela escolha do consumidor.

Diante disso, alguns projetos, como o Fruta Feia, de Portugal e o Fruta Imperfeita, do Brasil, buscam reduzir esse desperdício. Outros projetos utilizam cascas de frutas, como da laranja, para a produção de produtos de limpeza. Além de ações para a regeneração de solos degradados, como a agricultura sintrópica e o caso da Austrália, que trata a água e a utiliza como fertilizante orgânico. Diversas ações relacionadas à redução das embalagens de uso único, reutilização e embalagens retornáveis também surgem por todo o mundo.

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