Nos dias 28 e 29 de novembro aconteceu, em São Paulo, o fórum de alto nível, o Sustainable Foods Summit, que trouxe debates sobre o futuro dos alimentos e de processos mais sustentáveis de produção, sobretudo para a América Latina.

Os debates evocaram a realidade inegável do meio ambiente, que imputa mudanças de hábitos de consumo e gera uma nova demanda crescente entre o consumidor, a busca pela transparência e rastreabilidade dos produtos que consome, sobretudo dos alimentos. Junto com essa tendencia, emerge, forte, a necessidade de que empresas e governos adequem suas políticas a práticas, processos, insumos e ações de desenvolvimento sustentável.

Além de considera-las como melhores práticas para o meio ambiente e a saúde da população, essas práticas se tornam, cada vez mais uma questão de estratégia global para as empresas. Assim, surgem demandas como repensar as embalagens e seus impactos sobre o meio ambiente e adotar um sistema que permita a concepção de uma economia circular. Veja a cobertura detalhada da Revista Nutri On-Line de algumas das palestras apresentadas na Sustainable Foods Summit.

 

Economia circular – Carla Tennenbaum

Carla Tennenbaum abordou sobre esse movimento múltiplo e repleto de setores e atores envolvidos que formaria uma economia circular, reduzindo desperdícios e funcionando com base em três princípios: manter o valor em circulação, fazer isso de maneira intencional desde o momento da concepção dos produtos, e adotar a ideia de sempre regenerar o sistema.

 

Sustainble Foods: introduction and outlook – Amarjit Sahota

Os alimentos sustentáveis foram definidos como aqueles que englobam os pilares da sustentabilidade, tanto no sentido ético quanto social. A principal tendência levantada nesse debate foi dos alimentos orgânicos, cujas pessoas elegem cada vez mais o consumo, em primeiro lugar em busca de melhorar suas condições de saúde e, em segundo, em busca do bem-estar animal, segundo pesquisas realizadas em diferentes países.

Hoje já são 2,9 milhões de granjas orgânicas em 181 países, a América Latina ocupa o terceiro lugar entre as regiões produtoras, cuja liderança é da Ásia. Contudo, pouquíssimo é o percentual de produção para consumo próprio, já que 90% desses insumos é destinado ao consumo na Europa e EUA, que representam os maiores mercados consumidores de orgânicos.

Por outro lado, a crise da proteína também foi abordada como uma realidade latente, já que as projeções para a produção de carne para 2050, demonstram um cenário não sustentável, cujo planeta está inábil a conceber. A criação de gado para abate representa, hoje, 5.5 bilhões na emissão de gases de efeito estufa, o que se equipara à emissão de 10 países combinados. Dado esse contexto, o consumidor se torna mais consciente e adota, cada vez mais, dietas vegetarianas e veganas, o que leva também ao aumento dos produtos para atender a esse mercado, que passam de 1,5% a 4,3% em 2015.

 

Emerging labels for sustainable animal products – Daniel Araújo

Nesse painel, o debate pairou sobre como os produtores também estão cada vez mais comprometidos com o bem-estar animal, um conceito que vem tanto da pressão de ONGs quanto do consumidor, já que é uma das principais tendências de consumo de 2019. As novas gerações são mais engajadas e buscam causas para apoiar, logo, preocupar-se com seus meios e métodos de produção, para além do lucro pelo lucro, se torna cada vez mais uma necessidade para as empresas que desejam continuar competindo no mercado.

Também abordou-se a ideia da rotulagem dos alimentos e dos selos de certificação no consumo. Isso porque, embora a ideia de eliminar intermediários para que  consumidor tenha acesso ao seu produto seja uma tendencia, ainda não é uma realidade, então existe uma cadeia muito ampla entre esses dois polos. Os selos se tornam uma forma de dar ao consumidor a segurança de que ele está adquirindo um produto, de fato, de qualidade, que segue os princípios nos quais acredita e busca. No Brasil, o selo orgânico é um dos que está em franca expansão, juntamente com selos associados ao bem-estar animal, como o de cruelty-free.

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