Parece absurdo pensar na economia dos produtores de gado e avicultores, se houvesse a possibilidade de uma sociedade em que todas as pessoas se tornassem vegetarianas. O mesmo absurdo deve soar aos ouvidos de empresários que comercializam soja para a alimentação de suínos, ou até mesmo para multinacionais que dominam o setor mundial de carnes, como Cargill, Tyson e JBS.

Mas não há como fugir da realidade e a realidade é de que o vegetarianismo é uma tendência crescente, com argumentos cada vez mais fortes em seu favor, como o fato de ser uma dieta que melhora a saúde e um estilo de vida que ajuda no combate às mudanças climáticas e protege os animais.

Na contramão dessa realidade, o consumo mundial de carne continua em ascensão, com uma produção que, hoje, é quase cinco vezes maior do que era na década de 1960. Só em 2017, foram 330 milhões de toneladas. Um dado atribuído não apenas ao aumento da população global, mas também ao aumento da classe média em países como a China e outras economias emergentes.

Resistindo e ganhando espaço, a ideia de que consumir menos carne é bom para a saúde humana e do planeta, faz com que a realidade da pecuária fique cada vez mais clara, já que a indústria da carne – sobretudo bovina – é uma das que mais afetam o meio ambiente. Primeiro porque requer grandes áreas em terra, utiliza muitos recursos hídricos e emite quantidades exorbitantes de gases de efeito estufa.

Mas quando se pensa em uma economia vegetariana, seria necessário criar novos tipos de empregos e mais alimentos de base vegetal para substituir a carne. Além disso, os agricultores teriam de receber apoio e a indútria de carne, que gera milhões de empregos e contribur para a economia dos países, também precisaria ser repensada.

Neste cenário, especialistas apontam que, nem tanto a terra, nem tanto ao mar, o mais viável seria uma sociedade semi-vegetariana, isto é, a redução significativa no consumo de carne, já que é muito improvável que o mundo inteiro se torne vegetariano algum dia, mas a redução do consumo no âmbito coletivo, efetivamente teria efeito sobre o meio ambiente e também na saúde das pessoas.

 

Fonte: BBC Brasil

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