Com o crescimento da população mundial em médio prazo, a produção de alimentos terá de ser 70% maior e, de preferência, prejudicar o mínimo possível o meio ambiente.

Se hoje somos 7,7 bilhões de pessoas no planeta, daqui há aproximadamente 30 anos, seremos 10 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Isso significa que a produção de alimentos terá que crescer, aproximadamente 70% para suprir a demanda e, de preferência, gerando os mínimos impactos ambientais possíveis.

Para isso, rever a maneira como nos alimentamos será fundamental. O mais recente Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), das Nações Unidas, aponta que a redução no consumo de carnes é um passo essencial para reduzir os efeitos das mudanças climáticas. Uma vez que dietas baseadas em proteína animal contribuem para o desmatamento de alguns dos principais biomas do mundo, como a Amazônia.

A indústria, indo ao encontro dessa necessidade, passou a desenvolver produtos a base de vegetais e células de animais para tentar suprir a demanda alimentar da população de uma forma menos agressiva. Para além das carnes bovina plant-based, que já abordamos neste artigo, startups e foodtechs buscam o desenvolvimento de outras variedades de alimentos, como o peito de frango, resultante do cultivo de células-tronco de penas de galinha.

Os peixes também estão na linha de visão desta indústria, com foco especialmente nas pesquisas para a criação de postas de atum e salmão. Em uma pesquisa da Impossible Foods, foi possível chegar a um caldo de plantas com sabor de anchovas para o preparo da paella.

O leite de vaca também não escapou às inovações alimentícias, alternativas a base de arroz, coco, soja, amêndoas e aveia, são alguns dos exemplos de leites vegetais que se tornam cada vez mais populares. Contudo, a ciência está empenhada a criar um leite 100% vegetal e que tenha o sabor idêntico ao bovino.

Nessa esteira, a foodtech Perfect Day Foods criou uma bebida que utiliza bactérias e leveduras geneticamente modifcadas para a fermentação do açúcar. O resultado é uma bebida vegetal com caseína, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina, proteínas do leite de vaca.

A startup New Culture, por outro lado, concentra seus esforços para a produção de uma mussarela em laboratório. Sua estratégia é trabalhar apenas com a caseína, que é responsável por dar a textura elástica do queijo. A maionese e o ovo também entraram nessa discussão, uma foodtech chilena já criou uma maionese que não leva ovos, criada com auxilio de inteligência artificial própria.

Chamada de Giuseppe, a base de dados tecnológica informa sobre estrutura, valor nutricional e aplicações científicas de diversos vegetais, permitindo projetar misturas de ingredientes de forma mais ágil e inteligente.

O conceito também foi aplicado ao N.ovo, o “ovo” que não é de galinha, mas em receitas de bolos e massas, por exemplo, cumpre a mesma função. Na fórmula, proteína isolada e amido de ervilha, fermento e linhaça dourada.

 

Fonte: Revista Galileu

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