Celulite por Luisa Wolpe

A  celulite, termo comum para lipodistrofia ginóide (LG), é uma  inflamação caracterizada  pelo extravasamento de líquidos para o meio extra-celular.

Esta inflamação é uma condição topográfica que ocorre na superfície da pele e costuma acometer a parte posterior e lateral das coxas, nádegas e também abdômen, deixando um aspecto de “covinhas” ou aparência de “casca de laranja” (LUEBBERDING; KRUEGER; SADICK; 2015).

 

É estimado que 80 a 90% das mulheres que já passaram pela puberdade, possuam algum grau de celulite.

Embora não seja considerada uma doença, esta condição é uma preocupação estética de muitas mulheres. É estimado que 80 a 90% das mulheres que já passaram pela puberdade, possuam algum grau de celulite. O sexo feminino é o mais afetado pela celulite (HEXSEL et. al, 2019) e isso pode ser explicado, pois o tecido subcutâneo das mulheres é constituído por septos radiais os quais contém lóbulos grandes de gordura, diferente dos homens, e isso torna a celulite mais evidente (VIDAL; MOREIRA; 2015).

A celulite é uma condição mais comum em mulheres, porém, há diversos fatores que podem favorecer o seu surgimento e piorar a progressão clínica, como a má alimentação com alta ingestão de gorduras, sal, conservantes, estilo de vida sedentário, ingestão de álcool e tabagismo (TOKARSKA et. al, 2018).

A teoria atualmente aceita é que o início do aparecimento ocorra devido a um aumento da pressão capilar o qual leva a um aumento na permeabilidade dos capilares e também leva a uma retenção de líquido da derme em excesso, provocando hipóxia tecidual e mudanças celulares (VIDAL; MOREIRA; 2015).

Este aparecimento ocorre na matriz intersticial, mediante alteração bioquímica dos seus constituintes principais, que sofrem uma hiperpolimerização. As alterações do tecido conjuntivo perivascular produzem diminuição do tônus venoso e aumento da fragilidade capilar, favorecendo a ruptura e o surgimento de micro hemorragias. Assim, a matriz tem sua viscosidade aumentada, com prejuízo de suas principais funções. Desta forma, o tecido com celulite é mal oxigenado, subnutrido, desorganizado e sem elasticidade, resultante de um mau funcionamento do sistema circulatório, linfático e das consecutivas transformações do tecido conjuntivo.

A celulite possui quatro graus de classificações:

  • Grau 1: As ondulações só são percebidas quando a pele é comprimida através de pinçamento ou contração muscular. Pode aparecer até mesmo nas crianças, sendo mais comum nos adolescentes;
  • Grau 2: As ondulações já são percebidas sem comprimir a pele. Só de passar a mãos sobre o local já se nota uma ondulação, sendo possível sentir alguns nódulos;
  • Grau 3: Os nódulos são bastante perceptíveis e têm consistência endurecida, demonstrando que já houve formação de fibrose. Pode haver dor local, palidez, diminuição da elasticidade e temperatura;
  • Grau 4: São observadas as mesmas características que no grau 3, porém os nódulos são mais palpáveis, dolorosos e visíveis. Aparência ondulada da superfícia da pele (ROSSI & VERGNANINI, 2000; HEXSEL & MAZZUCO, 2000; GUIRRO & GUIRRO, 2004; MIRRASHED et al 2004; RONA, CARRERA & BERARDESCA, 2006).
Figura 1. (A) Conjunto final de covinhas de celulite – em repouso e (B) covinha de celulite – escalas dinâmicas.

Inúmeros estudos relacionam o estradiol como sendo o principal causador da LG, que pode ser desencadeada ou agravada por uma série de mecanismos, como alterações da produção deste hormônio, uso de medicamentos com estradiol, desequilíbrio entre estrógeno e progesterona, testosterona, hormônios da tireóide, hormônios das glândulas supra-renais. Eles interferem no metabolismo das gorduras, na circulação linfática e venosa, facilitam a retenção de água e, além disso, ainda coordenam a deposição de gordura no abdome, quadril e coxas, dando ao corpo o aspecto feminino (TOKARSKA et. al, 2018).

A aromatase é uma enzima que converte testosterona em estradiol, aumentando assim a disponibilidade desse hormônio, o que consequentemente aumenta a celulite. Alguns alimentos são inibidores da aromatase e favorecem o tratamento da celulite, como, por exemplo, a romã (Punica granatum), que pode ser utilizada em forma de fruta, suco ou suplementação em extrato seco. Outra forma de diminuir o estrogênio é através do óleo de prímula, rico em ácido gamalinolênico (GLA) e vitamina A, pois eles elevam os níveis de progesterona e, assim, diminuem os níveis de estrogênio.

A nutrição no tratamento da celulite tem como objetivo a redução do tecido adiposo, a regulação do trânsito intestinal e a diminuição da retenção hídrica.

A conduta nutricional na prevenção e tratamento da LG deve contemplar os parâmetros abaixo:

  • Dieta para melhorar a destoxificação;
  • Dieta anti-inflamatória;
  • Correção da disbiose, trânsito e hiperpermeabilidade intestinal;
  • Dieta Hipossódica – para reduzir edema;
  • Dieta para elasticidade da derme (suplementos como silício, colágeno hidrolisado, vitamina C);
  • Dieta para redução de peso conforme a necessidade do paciente.

 


REFERÊNCIAS:

LUEBBERDING S, KRUEGER N, SADICK N. Cellulite: an evidence based review. Am J Clin Dermatol – 16:243–256, 2016.

HEXSEL D et. al. Validated Assessment Scales for Cellulite Dimples on the Buttocks and Thighs in Female Patients. Dermatologic Surgery 2019;45:S2–S11.

GUIRRO E, GUIRRO R. Fisioterpia dermato funcional. Manole. 3 ed. P. 347-389; 2006.

VIDA B, MOREIRA T. Eficácia de nutrientes na prevenção e tratamento da lipodistrofia ginoide. Revista Brasileira de Nutrição Clínica 2016; 31 (1): 80-5.

TOKARSKA K, TOKARSKI S, WOZNIACKA A, SYSA-JEDRZEJOWSKA A, BOGACZEWICZ. Cellulite: a cosmetic or systemic issue? Contemporary views on the etiopathogenesis of cellulite. Postepy Dermatol Alergol. 2018 Oct; 35(5): 442–446.

 

Dra. Luisa Wolpe 

 

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