PodCast Carnes processadas: alimentos com potencial cancerígeno

 

No Brasil, o câncer configura-se como um grave problema de saúde pública em dimensões nacionais. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira e a progressiva industrialização e globalização, as neoplasias ganharam crescente importância no perfil de mortalidade do país, ocupando o segundo lugar de causa mortal.

O câncer colorretal é classificado entre os cinco primeiros cânceres mais frequentes, e sua incidência não é homogênea em todo o país, sendo prevalente principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Em 2016, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa de casos novos de câncer colorretal foi de 34.280, sendo 16.660 homens e 17.620 mulheres.

Essa doença abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto. Na maioria dos casos, é tratável e curável ao ser detectado precocemente, quando ainda não apresentar metástase em outros órgãos. Grande parte desses tumores se inicia a partir de pólipos, lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso, e, por isso, uma maneira de prevenir o aparecimento dos tumores malignos seria a detecção e remoção desses pólipos com antecedência.

Estudos experimentais e epidemiológicos têm demonstrado uma forte associação entre nutrição e alimentação no risco de câncer colorretal. A maioria indica a conclusão de que o consumo de carne vermelha e processada está relacionado à proliferação de células neoplásicas intestinais.

Os mecanismos bioquímicos e genéticos para esse fator incluem a formação de agentes carcinogênicos dos produtos cárneos, tais como componentes nitrosos, aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. Por isso, a associação positiva com o consumo de carne processada pode ser, em parte, devida, principalmente, aos compostos nitrosos capazes de reagirem com o DNA dos tecidos alvos para alterar suas bases e potencializar o início da carcinogênese.

A carne cozida em alta temperatura contém, em sua superfície, potentes agentes mutagênicos e cancerígenos na forma de aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos policíclicos aromáticos. O risco para câncer induzido aos humanos relacionado a essas substâncias depende da extensão em que os componentes são ativados pelas enzimas metabólicas.  

A ingestão de carne vermelha e ultraprocessada está associada com 28% a 49% de aumento do risco para desenvolvimento de câncer colorretal

Em suma, enfatiza-se que, de acordo com metanálises, há associações indicando que a ingestão de carne vermelha e ultraprocessada esteja associada com 28% a 49% de aumento do risco para desenvolvimento de câncer colorretal, sendo de extrema importância um planejamento dietético para pessoas que tenham o hábito de consumi-las com frequência.

 


REFERÊNCIAS

BRASIL. Instituto Nacional do Câncer – INCA. Incidência de câncer colorretal. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colorretal>. Acesso em: 21 mar. 2017.

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HABR-GAMA, A. Câncer colorretal: a importância de sua prevenção. Arq Gastroenterol, v. 42, n. 1, p. 2-3, 2005.

LIMA, W; LIMA, T. Câncer colorretal: um estudo dos fatores de risco.  In: I CONGRESSO NORTE E NORDESTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA ONCOLÓGICA, v. 1, n. 3, nov. 2014. Disponível em: < https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/cncer-colorretal-um-estudo-dos-fatores-de-risco-11217>. Acesso em: 21 mar. 2017. ZANDONAI, A.; SONOBE, H.; SAWADA, N. Os fatores de riscos alimentares para câncer colorretal relacionado ao consumo de carnes. Rev Esc Enferm USP, São Paulo, v. 46, n. 1, p. 234-9, fev. 2012.

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