PodCast Canabidiol: o que a ciência comprova!

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O tratamento terapêutico com a planta Cannabis Sativa vem ganhando espaço nos últimos anos, apesar de inconsistências a respeito da sua utilização.

A cannabis é uma erva popular conhecida como cânhamo (hemp), diamba, maconha, entre outras denominações. Existem três espécies que são as mais utilizadas:

  • Sativa, que apresenta alta concentração de THC (substância psicoativa da planta)
  • Índica, que possui baixo teor de THC
  • Ruderalis, que não apresenta nenhum ingrediente psicoativo

Com cerca de 400 substâncias bioativas, a cannabis pode ser classificada como uma planta medicinal.


Os canabinoides, grupo de componentes em maior proporção na erva, são divididos em psicoativos, cujo destaque é para o Δ9–THC (deltanovetetraidrocanabinol), e de não psicoativos, o canabidiol. Em relação aos mecanismos propostos para suas aplicações, ressalta-se que o canabidiol se tornou alvo de pesquisas, sobretudo, por atuar de forma antagônica ao Δ9–THC e contribuir para a modulação de receptores neuronais.

Apesar de ter sido isolado desde o ano de 1940, o canabidiol teve sua importância destacada em estudos, na literatura, nos últimos 20 anos, ao observar sua capacidade em desempenhar diferentes papéis farmacológicos.

De todas suas aplicações, as que mais merecem atenção são ações analgésicas, imunossupressoras e para tratamento de epilepsia, transtorno do espectro autismo e outras doenças neurodegenerativas.

Estudos mostram o uso dos canabinoides como coadjuvante no tratamento de câncer, especialmente para aliviar a dor e a emese induzida pela quimioterapia e radioterapia. Um avanço significativo no uso desses componentes bioativos no tratamento do câncer se desencadeou pela descoberta do potencial efeito para atacar as células cancerígenas. Os canabioides demonstram exercer efeitos antiproliferativos e pró-apoptóticos em cânceres de pulmão, de tireoide, da pele, de carcinoma colorretal, entre outros.

Os benefícios endócrinos e moduladores glicêmicos associados ao uso de canabidiol são evidenciados em estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo. Para isso, 13 indivíduos com diabetes tipo 2 foram tratados com canabidiol, 100 mg ao dia, por 13 semanas e tiveram resultados positivos com essa intervenção, como redução dos níveis de resistina – hormônio associado à obesidade e à resistência à insulina.

 


REFERÊNCIAS

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