PodCast A pele feminina é fisiologicamente controlada pelo seu ciclo menstrual por Rodrigo Granzoti

A pele feminina é uma estrutura bastante dinâmica e controlada, fisiologicamente, por diferentes hormônios. Durante o ciclo reprodutivo feminino (ciclo menstrual), por exemplo, a variação entre os hormônios estrogênio e progesterona modifica o comportamento das células e isso altera, sobretudo, a organização e a arquitetura do tecido cutâneo.


Fase folicular


O ciclo menstrual é caracterizado por uma variação cíclica dos hormônios ovarianos. Após o primeiro dia da menstruação até o décimo quarto dia, sob o estímulo das gonadotrofinas, um folículo ovariano começa sua jornada de maturação e desenvolvimento. Nesse período (fase folicular), há um aumento gradativo dos níveis de estrogênio e que culmina com seu pico máximo no dia da ovulação.


Fase lútea


Os dias subsequentes (fase lútea) são marcados pela manutenção dos níveis de estrogênio pelo corpo lúteo, um aumento do hormônio progesterona e um espessamento da parede do útero. A partir do vigésimo dia os níveis de estrogênio e progesterona declinam e atingem seu valor mínimo no vigésimo oitavo dia, promovendo a descamação do endométrio, caracterizando, assim, a menstruação.

O estrogênio é o principal hormônio regulador da fisiologia cutânea da mulher. Na epiderme, principalmente no estrato córneo, o hormônio regula o conteúdo de lipídios que são importantes para a formação e integridade da barreira cutânea. Assim, a perda de água transdérmica, por exemplo, tende a ser menor no período ovulatório e lúteo, cujos os níveis de estrogênio estão mais elevados. Da mesma forma, algumas dermatites e alergias pioram seu quadro no período pré-menstrual o que culmina com os níveis mais baixos de estrogênio e com uma menor integridade da barreira cutânea.

A produção de sebo pelas glândulas sebáceas também tem sua produção regulada pelos hormônios sexuais. Os hormônios androgênicos, principalmente, suprarregulam a atividade dos sebócitos, ao passo que, o estrogênio, quando em altas concentrações, suprime a ação dos andrógenos na glândula e diminui tanto a oleosidade da pele, quanto a frequência de acne.

Já sobre a pigmentação da pele, o estrogênio tem efeito direto sobre os melanócitos, estimulando a atividade dessas células e aumentando a síntese de melanina. Nas mulheres, a redução da melanogênese está associada ao final da fase lútea, período que antecipa a menstruação e é caracterizado pelo declínio dos hormônios sexuais femininos.

Na derme, os níveis aumentados de estrogênio elevam a síntese de matriz extracelular pelos fibroblastos. O efeito desse aumento nos níveis de colágeno I e III e substâncias higroscópicas, como ácido hialurônico, melhoram a viscosidade, a hidratação e a elasticidade da pele. O período final do ciclo menstrual (por volta do vigésimo quinto dia) é associado a uma significativa redução da elasticidade da pele.

A formação de eritema solar chega a ser 25% maior no final da fase lútea

 

A microbiota da pele tem seu perfil alterado ao longo do ciclo menstrual. Assim, a quantidade de bactérias sobre a epiderme é maior entre o pico ovulatório e a fase lútea (décimo sexto e vigésimo segundo dia), o que diminui, por exemplo, a infecção por microrganismos oportunistas.

Da mesma forma, o ciclo menstrual altera a suscetibilidade à radiação ultravioleta em mulheres. A formação de eritema solar chega a ser 25% maior no final da fase lútea (período pré-menstrual).

 


Referência

FARAGE, M. A. et al. Physiological Changes Associated with the Menstrual Cycle A Review. Obstetrical and Gynecologycal Survey, v. 64, n. 1, p. 58-72, 2009.

Rodrigo Granzoti

  • Biólogo
  • Nutricionista
  • Professor e Consultor Técnico  na área de Nutrição Estética

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