O organismo abriga uma série de bactérias que agem de maneira sinérgica para evitar doenças, estimular o desenvolvimento de outros micro-organismos e fortalecer o sistema imune, dessa forma, prevenindo o surgimento e agravamento de inflamações que resultam em problemas de pele.

A literatura aponta no sentido de que a utilização de determinadas cepas probióticas pode contribuir para o melhor funcionamento do sistema imune, regulando a liberação de citocinas pró-inflamatórias que contribuem para o surgimento dos quadros de acne, por exemplo. Tais citocinas agiriam a partir da interação com o tecido linfoide associado ao intestino. Sabe-se, também, que o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) exerce papel na fisiopatologia da acne, de modo que certos alimentos e a suplementação com probióticos podem modular o papel do IGF-1 quanto ao surgimento de erupções cutâneas, reduzindo os níveis sistêmicos de IGF-1 e, consequentemente, melhorando o aspecto da pele. Mais recentemente, diversas cepas de Lactobacillus têm mostrado efeitos anti-inflamatórios sistêmicos.

Nesse contexto, pesquisas têm apontado para a inter-relação do intestino, do cérebro e da pele, em que a saúde dessa última poderia vir a ser modulada a partir da ingestão de probióticos orais. Um mecanismo proposto para explicar a relação entre o eixo intestino-cérebro-pele e o surgimento de acne ocorre a partir de influências psicológicas que, isoladas ou em combinação com dietas desequilibradas – com alta proporção de gorduras, alimentos processados e pobres em fibras – podem vir a causar desequilíbrios na motilidade intestinal e no perfil da microbiota. A consequente perda do biofilme bacteriano, sobretudo, de Bifidobacterium, aumenta a permeabilidade intestinal, e endotoxinas passam a adquirir acesso sistêmico no organismo. Ocorre um aumento na inflamação e no estresse oxidativo, além de uma redução quanto à sensibilidade insulínica em resposta à endotoxemia. Em indivíduos geneticamente predispostos à acne, essa cascata pró-inflamatória faz aumentar a produção de sebo, que culmina no aparecimento da acne. À medida que probióticos orais são utilizados, estes têm o poder de interromper essa via de inflamação.

Em trabalho de Kober e Bowe (2015), as autoras discutem sobre como os probióticos podem modular a presença não somente de acne, mas também de outras condições de pele como rosácea, dermatite atópica e fotoenvelhecimento. Segundo elas, trabalhos apontam no sentido de que a utilização de probióticos, em sua forma natural ou geneticamente modificada, bem como de forma isolada ou em associação a antibióticos ou glicoproteínas (como a lactoferrina, por exemplo), é capaz de restabelecer o local lesionado, diminuir o número de lesões acneicas e equilibrar a produção de moléculas pró e antioxidantes responsáveis pelo fotoenvelhecimento.

Diante das evidências apresentadas, o nutricionista tem como opção a prescrição de determinadas cepas probióticas com o intuito de prevenir ou amenizar quadros inflamatórios e/ou ligados ao envelhecimento, potencializando resultados que se manifestam dentro e fora do paciente.

REFERÊNCIAS

BOWE, W.P.; LOGAN, A.C. Acne vulgaris, probiotics and the gut-brain-skin axis-back to the future?. Gut Pathogens, v. 3, n. 1, 2011.

CLEMENTS, S.J.; CARDING, S.R. Diet, the intestinal microbiota, and immune health in aging. Critical Reviews in Food Science and NUTRITION, v. 58, n. 4, p. 651-61, mar. 2018.

KOBER, M.M.; BOWE, W.P. The effect of probiotics on immune regulation, acne, and photoaging. International Journal of Women’s Dermatology, v. 1, n. 2, p. 85-9, jun. 2015.

WANG, Y. et al. Staphylococcus epidermidis in the human skin microbiome mediates fermentation to inhibit the growth of Propionibacterium acnes: implications of probiotics in acne vulgaris. Applied Microbiology and Biotechnology, v. 98, n. 1, p. 411-24, jan. 2014.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui