A sensibilidade celular à insulina (RI) é determinada não apenas pelo número e pela afinidade dos receptores de insulina, mas também pelo estado funcional de todas as proteínas intracelulares envolvidas nas vias de sinalização do hormônio.

Entre os fatores capazes de alterar essa sinalização, como já demonstrado na literatura, estão células envolvidas na resposta inflamatória, adipocinas, espécies reativas de oxigênio, excesso de ácidos graxos saturados e trans presentes na dieta, entre outros.

Relacionada com redução da concentração e da atividade quinase do receptor de insulina, da concentração e da fosforilação do IRS-1 e IRS-2, da atividade da P13K, da translocação dos transportadores de glicose (GLUTs) e da atividade das enzimas intracelulares.

Entre os fatores capazes de alterar essa sinalização, como já demonstrado na literatura, estão células envolvidas na resposta inflamatória, adipocinas, espécies reativas de oxigênio, excesso de ácidos graxos saturados e trans presentes na dieta, entre outros.

Assim como a inflamação, a RI tem sido estudada como potencial causadora de doenças. Cânceres de colón, mama, pâncreas e endométrio já estão associados à hiperinsulinemia crônica. 

Esses efeitos podem ser mediados diretamente pela presença de receptores de insulina nas células pré-neoplásicas, estimulando o crescimento, ou com sua gênese mediada por mecanismos comuns que ocasionam a resistência à insulina.

O aumento da adiposidade influencia a síntese e viabilidade dos hormônios  esteroides sexuais a partir de pelo menos três mecanismos: tecido adiposo aumenta a conversão de andrógenos a estrógenos; a obesidade ocasiona a redução da síntese hepática e da globulina carreadora de hormônios esteroidais (SHBG); e da proteína ligadora do fator de crescimento semelhante à insulina (IGFB-P), contribuindo  para a ação  mais ampla de testosterona livre e do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) nas células-alvo, respectivamente, que pode exercer influência sobre o risco para carcinoma endometrial.

Ainda, a hiperinsulinemia pode levar ao aumento da síntese de andrógenos ovarianos, como pode ser observado em mulheres com síndrome do ovário policístico, sendo correlacionado com essas alterações o aumento da incidência de cânceres de mama e endométrio.

Estudo demonstra que a cultura de melanócitos humanos em duas vezes as concentrações padrão de glicose e insulina, por 3 semanas, foi associada à carcinogênese, como indicado pelo aumento das taxas de proliferação, conteúdo de DNA, aberrações cromossômicas, p-Akt e c-Myc. A superexpressão do IRS-1 também assinalou ter efeitos oncogênicos pela promoção da proliferação celular, inibindo a autofagia induzida por estresse basal e oxidativo e, por fim, diminuindo a morte celular em fibroblastos NIH/3T3. Por sua vez, o papel promotor do câncer de insulina também é relatado em estudos nos quais a sinalização da insulina foi bloqueada.


Evidências científicas ainda correlacionam a obesidade com alguns tipos de cânceres. Indivíduos obesos possuem 1,5 a 3,5 vezes mais chances de desenvolver cânceres de mama, endométrio, colón, rins e adenomas esofágicos malignos do que indivíduos eutróficos, assim, concluindo a complexa relação da RI, obesidade e câncer.


 

Por isso, recomenda-se a manutenção do peso saudável mediante conduta nutricional individualizada e o consumo de alimentos fontes de micronutrientes e compostos bioativos, como frutas e verduras que, quando associados à prática de atividade física, podem ser considerados estratégia eficiente na prevenção de cânceres relacionados com a RI.

 


REFERÊNCIAS

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BRAY, F. et al. Endometrial cancer incidence trends in Europe: underlying determinants and prospects for prevention. Cancer Epidemiology and Prevention Biomarkers, v. 14, n. 5, p. 1132-1142, 2005.

NAVES, A. Nutrição clínica funcional: obesidade. In: Nutrição clínica funcional: obesidade. São Paulo: 2009.

ORGELl, E.; MITTELMAN, S. D. The Links Between Insulin Resistance, Diabetes, and Cancer. Current Diabetes Reports, v. 13, n. 2, p. 213–222, 2013.

CHAN, S.H, et al. Insulin receptor substrate-1 prevents autophagy-dependent cell death caused by oxidative stress in mouse NIH/3T3 cells. Journal of Biomedical Science, v. 19, n. 1, p. 64, 2012.

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