As estratégias da Nutrição Esportiva influenciam significativamente o desempenho físico. A avaliação nutrigenômica no esporte é uma das mais utilizadas atualmente, uma vez que é baseada na resposta genética do atleta e, por isso, traz resultados mais personalizados e assertivos.  

O desempenho atlético é um fenótipo complexo considerado um traço poligênico multifatorial. Diversos fatores ambientais, fisiológicos e psicológicos estão envolvidos na sua modulação, contudo há evidências de que certos genes podem ser determinantes na aptidão física e no desempenho.Variações nas sequências de DNA são associadas a fenótipos específicos envolvidos no rendimento esportivo, como capacidade de resistência, desempenho muscular, suscetibilidade a lesões e infecções, bem como em marcadores de composição corporal e aptidão psicológica.

Cada indivíduo responde de forma diferente a treinamentos e intervenções nutricionais. O genótipo é um tipo de informação pessoal que pode ser usado para individualizar o aconselhamento dietético. O estudo genético avançado aponta que, atualmente, mais de 200 genes estão associados ao desempenho físico humano, permitindo o avanço de trabalhos que avaliem até mesmo a ação direta de determinadas drogas na expressão desses genes, o chamado doping genético.

De acordo com revisão publicada na Revista Interdisciplinar Ciências e Saúde (TRINDADE et al., 2017), a avaliação genética mais estudada se associa aos efeitos biológicos de genes estimulados pelo exercício físico, que provocam alterações em medidas de composição corporal, como massa muscular, resistência e densidade óssea. Esses estudos da nutrigenômica identificaram genes polimórficos relacionados ao esporte. Um gene em destaque é o ACTN3, responsável pela codificação da proteína alfa-actinina-3, pertencente a um grupo de mais três proteínas (alfa-actininas-1, 2 e 4). A alfa-actinina-3 é um gene que está presente apenas em fibras musculares de contração rápida, que possuem maior ganho de massa muscular, volume e tônus ao se comparar com as fibras de contração lenta (fibras musculares tipo 1).

Para comprovar essa associação genética, Pimenta (2012) comparou a capacidade física de 322 jogadores de futebol voluntariados, analisando parâmetros de força, velocidade e resistência, de acordo com os grupos genótipos do gene ACTN3. Os indivíduos que tinham um genótipo RR e RX apresentaram menor taxa de tempo para percursos de 10m, 20m e 30m, e resultados mais vantajosos em saltos, ao contrário do grupo de genótipo XX.

A composição corporal de cada indivíduo também se baseia em modificações genéticas. Já sabe-se que a obesidade está diretamente associada a certos polimorfismos, da mesma forma que o desenvolvimento muscular também é influenciado. A deposição de gordura provoca o aumento de biomarcadores para a inflamação e estresse oxidativo, sendo esses úteis para a identificação precoce de susceptibilidade a essa doença. Os biomarcadores envolvidos na obesidade progressivamente estudados são ECA, PADR, CRP, C3, GPx, HDL, IL-6, IL-18 LDL, oxLDL, PAI-1, PPAR-γ, O TNF-α, VCAM.

Pensando em hipertrofia muscular, aponta-se que as proteínas presentes no músculo, com destaque a miostatina, que é responsável por modular a distrofia muscular, também, sofrem influência da expressão gênica e da frequência de treinamentos. Contudo, estudos a respeito da influência dietética sobre a síntese e atuação dessa proteína devem ser elucidados com maior precisão na literatura.

Por fim, pode-se concluir que a performance física está sob o controle de genes, apesar de o rastreamento genético ainda ser objeto de pesquisas. É possível compreender como variantes de genes específicos modulam as adaptações ao treinamento físico, ressaltando a importância da personalização da estratégia nutricional do atleta.

REFERÊNCIAS

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PIMENTA, E. M. Polimorfismos genéticos para alfa actinina 3 e sua relação com dano muscular e capacidades funcionais em atletas de futebol. Universidad de León, 2012.

NETTO, Z. C. de O. Estudo molecular dos genes alfa actinina 3 e ECA I/D em atletas de esportes de combate, artes marciais e lutas de alto rendimento – ênfase em luta de percussão. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

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CIESZCZYK, P. et al. The variation of Peroxisome Proliferator Activated Receptor alfa gene in elite combat athletes. Eur J Sport Sci. 2011; 11(2): 119-123.

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RIBEIRO, I. F. Avaliação das interações entre a suplementação antioxidante com o óleo de pequi (Caryocar brasiliense Camb.) e os polimorfismos nos genes da alfa-actinina-3 (ACTN-3), eritropoetina (EPO) e seu receptor (EPOR) nos resultados do hemograma, marcadores bioquímicos e peroxidação lipídica, em corredores de rua. Universidade de Brasília, Distrito Federal, 2013.

TRINDADE, M. et al. A influência genética na performance esportiva. Rev. Interd. Ciên. Saúde, v. 4, n.2, p. 113-120, 2017.

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