A prática de mindfulness se tornou parte da medicina comportamental a partir dos programas de redução de estresse de Kabat-Zinn de 1982. Com sua origem nas práticas orientais de meditação, esse conceito desencadeou o interesse de clínicos fora da área da medicina comportamental. Kabat-Zinn define mindfulness como uma forma específica de atenção plena que envolve concentração no momento atual, intencional e sem julgamento. Com isso, essa prática envolve o indivíduo de maneira biopsicossocial, abarcando manejos de meditação que buscam o equilíbrio do organismo de forma integral.

Diante das exigências do mundo moderno, distanciamo-nos da habilidade inata de concentração devido ao bombardeio de informações e distrações do cenário atual. Acalmar a mente, tomar decisões e manter o foco no que se vive agora são atitudes cada vez menos exploradas no dia a dia. Os diversos benefícios dessa aplicação são comprovados pela neurociência e por milhares de praticantes em todo o mundo, com destaque para o aperfeiçoamento de produtividade, foco e criatividade, bem como para a inteligência emocional, a redução de estresse e ansiedade, a melhoria da imunidade e dos processos fisiológicos e, ainda, o bem-estar físico.

Cada vez mais estudos avaliam o impacto do mindfulness sobre fatores relacionados à saúde e ao estilo de vida, incluindo comportamentos alimentares prejudiciais (como padrões irregulares de alimentação e alimentação emocional) e controle do peso corporal. O ato de comer de forma consciente significa atenção no momento de se alimentar, ou seja, manter o foco nos atributos sensoriais dos alimentos (como cheiro, sabor, aroma e textura), reconhecendo respostas fisiológicas subjetivas e prestando atenção aos sinais de saciedade. Um estudo de revisão, que incluiu 21 estudos de intervenções baseadas na prática de mindfulness, com o objetivo de alterar os comportamentos alimentares relacionados à obesidade, verificou que 86% dos estudos analisados sugeriram melhora no comportamento, na ingestão alimentar e no peso corporal.

REFERÊNCIAS

EBERTH, J; SEDLMEIER, P. The Effects of Mindfulness Meditation: A Meta-Analysis. Mindfullness, v. 3, n. 3, p. 174-189, Sep. 2012.

OLSON, KL; EMERY, CF. Mindfulness and weight loss: A systematic review. Psychosomatic Medicine, v. 77, n. 1, p. 59-67, Jan. 2015.

O’REILLY, GA et al. Mindfulness-based interventions for obesity-related eating behaviours: a literature review. Obesity Reviews, v.15, n. 6, p. 453-461, Mar. 2014.

VANDENBERGHE, L; SOUZA, A. Mindfulness nas terapias cognitivas e comportamentais. Rev. Bras. Ter. Cogn., Rio de Janeiro, v.2, n.1, p. 35-44, jun. 2006.

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