A prática de exercícios físicos reflete maior preocupação com hábitos de vida saudáveis. Consequentemente, melhorar o desempenho estimula a busca por suplementos ergogênicos, apesar de poucos terem eficácia comprovada pela ciência.

Complementos alimentares de origem proteica estão entre os mais consumidos por atletas e esportistas. Especificamente, a β-alanina tem mostrado resultados positivos em termos de efetividade. Esta se caracteriza por ser aminoácido não proteogênico e precursor limitante da síntese de carnosina, dipeptídeo encontrado no tecido muscular. A literatura ressalta que o aumento no nível de carnosina associa-se ao melhor desempenho físico, pois ela ajuda a reduzir o pH intramuscular durante o exercício, assim, promovendo o tamponamento de íons hidrogênio (H+) relacionados à diminuição da capacidade física e ao aumento da sensação de esforço.

A β-alanina é utilizada em exercícios de alta intensidade com a função de minimizar a fadiga muscular pós-treino e melhorar a performance. A suplementação com o aminoácido tem trazido benefícios, sobretudo, em exercícios com duração de 0,5 a 10 minutos. No entanto evidências científicas têm relacionado o consumo de β-alanina como recurso eficiente para o aumento no estoque de carnosina não somente em atletas, mas, também, em indivíduos fisicamente ativos e idosos de ambos os sexos.

Em revisão recente, Zandoná et al. (2018) analisaram os efeitos da suplementação com β-alanina sobre o desempenho esportivo e a posologia mais adequada. E foi observado que exercícios de membros isolados ou corpo inteiro se beneficiam da suplementação com β-alanina, visto que ela aumentou o nível de carnosina muscular e atenuou a fadiga. A redução desta também ocorreu ao avaliar a capacidade física de trabalho de indivíduos no limiar da exaustão. Quanto à dosagem, o estudo constatou que suplementar 3,2 a 6,4g/dia de β-alanina, diariamente, por um período mínimo de 2 a 4 semanas, pode melhorar a performance e o condicionamento físico dos indivíduos.

Com relação aos atletas de alto rendimento, prevenir a fadiga dos músculos é essencial, pois a fermentação láctea reduz o pH muscular e as vias da glicólise, da contração muscular e a ressíntese de fosfocreatina são interrompidas. Assim, a β-alanina ajuda a manter o pH intracelular, preservando a função muscular dos esportistas. O aminoácido ainda parece contribuir para o ganho de massa magra em curto espaço de tempo, embora o tipo de treinamento também influencie na obtenção dos benefícios.

Portanto, evidências na literatura mostram que a β-alanina pode ser utilizada como recurso ergogênico eficiente para a redução da fadiga muscular e melhora do desempenho físico para os indivíduos de maneira geral.

REFERÊNCIAS

FERREIRA, C.C. et al. Atualidades sobre a suplementação nutricional com beta-alanina no esporte. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 9, n. 51, p. 271-8, mai. 2015.

MATOS, V.A.F. et al. A carnosina diminui os efeitos da acidose muscular durante o exercício. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 9, n. 50, p. 164-171, mar. 2015.

MATOS, V.A.F. et al. Aspectos atuais sobre beta alanina, carnosina e exercício físico. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício, v. 15, n. 1, p. 56. 2015.

ZANDONÁ, B.A. et al. Efeito da suplementação de beta-alanina no desempenho: uma revisão crítica. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 12, n. 69, p. 116-124, jan. 2018.

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