Cada vez mais novos estudos têm abordado os efeitos das dietas cetogênicas para diferentes aplicabilidades na prática clínica, inclusive, como estratégia no gerenciamento de peso e controle metabólico. Caracterizada como uma intervenção pela qual pode dar-se a redução considerável de carboidratos para até 15% do valor calórico do plano alimentar, tendo como objetivo adaptar o organismo a utilizar corpos cetônicos como fonte energética.

A composição da dieta cetogênica, basicamente, inclui alimentos fontes de proteínas e gorduras, sobretudo, de origem animal, com propósito de obter macronutrientes que gerem saciedade e induzam a produção de energia por meio de outros substratos que não sejam glicose. Segundo um trabalho recente a respeito do tema (SHILPA; MOHAN, 2018), um dos desafios desse tipo de dieta é a menor ingestão de vegetais, frutas e grãos, associada ao desequilíbrio no consumo de fontes nutritivas de gorduras saudáveis, sendo mais presente as gorduras saturadas que, em longo prazo, podem estimular vias inflamatórias, estresse oxidativo e envelhecimento biológico.

Diante desse cenário, um novo conceito foi criado para trazer uma intervenção mais assertiva dentro da dieta com baixo teor de carboidratos: a Keto Plant Based. É caracterizada como a união entre a alimentação cetogênica e a dieta baseada em plantas, com o intuito de resgatar os vegetais, os legumes e as verduras que normalmente são menos consumidos, conforme mencionado anteriormente. Ampliar a ingestão de vegetais é uma forma de garantir aporte adequado de fibras e de fitoquímicos para o equilíbrio corporal e intensificar a preocupação com a sustentabilidade ambiental.

Estudos na ciência apontam os resultados de uma alimentação plant based com baixo teor de carboidratos no controle de peso e na modulação do perfil de colesterol e triglicérides. Tal fator se dá por conta da redução da oferta de glicose e ativação da insulina, que é responsável por aumentar a síntese de lipídeos endógenos. O principal objetivo da dieta é diminuir a ingestão de carboidratos ricos em amido e incentivar a escolha de gorduras boas e proteínas de origem vegetal, assim, evitando o consumo exagerado de gorduras saturadas advindas dos produtos de origem animal, que normalmente estão presentes na dieta cetogênica padrão.

Uma das maiores objeções da keto plant based é a sua sustentabilidade por parte do paciente e, se for mal planejada, de sua monotonia alimentar, uma vez que até os cereais e as leguminosas devem ser monitorados com cautela. O ideal é evidenciar estratégias e manejos gastronômicos que induzam a escolha de mais variedades de alimentos vegetais e diferentes combinações além das convencionais.

REFERÊNCIAS

SHILPA, J; MOHAN, V. Ketogenic diets: Boon or bane? Indian J Med Res., v. 148, n. 3, sep. 2018.

VARGAS, S. et al. Efficacy of ketogenic diet on body composition during resistance training in trained men: a randomized controlled trial. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 15, n. 131, p. 1-9, 2018.

BOISON, D. New insights into the mechanisms of the ketogenic diet. Curr Opin Neurol., v.30, n. 2, p. 187-192, ap. 2017.

CASTRO, A. et al. Effect of A Very Low-Calorie Ketogenic Diet on Food and Alcohol Cravings, Physical and Sexual Activity, Sleep Disturbances, and Quality of Life in Obese Patients. Nutrients, v. 10, n. 1348, p. 1-19, 2018.

GIBAS, M.; GIBAS, K. Induced and controlled dietary ketosis as a regulator of obesity and metabolic syndrome pathologies. Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Reserch & Reviews, v. 11, n. 1, p. 385-390, 2017.

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