A fitoterapia utilizada com fins ergogênicos tem ganhado espaço na prescrição nutricional para atletas e esportistas, com objetivo de melhorar o desempenho físico e retardar o processo de fadiga muscular. O uso de produtos fitoterápicos é regulado pela Food and Drug Administration (FDA), que os considera uma categoria especial de alimentos, também, classificados como “suplemento dietético” de acordo com o Dietary Supplement Health and Education Act.

A escolha de medicamentos e suplementos à base de plantas aumentou durante as últimas décadas. Atualmente, algumas ervas são usadas para aumentar a força muscular e a massa corporal, sendo que evidências emergentes sugerem que os benefícios das plantas à saúde são atribuídos a seus compostos bioativos com diversos efeitos fisiológicos no organismo. A exemplo disso, destacam-se as sementes, as gomas, as raízes, as folhas, as cascas, os frutos ou as flores que são fontes de carotenoides e polifenóis, incluindo ácidos fenólicos, alcaloides, flavonoides, glicosídeos, saponinas e lignanas.

Uma recente revisão bibliográfica (2018) levantou estudos acerca de orientações sobre a eficácia e o efeito colateral das plantas mais usadas no esporte. Entre elas, os autores destacaram as seguintes categorias: Ginseng, Tribulus Terrestris e Capsicum Frutescens, que, segundo análise, grande parte dos seus efeitos de suplementos se deve à ativação do sistema nervoso central por meio da estimulação das catecolaminas. 

O Panax ginseng foi identificado como um aprimorador de desempenho em exercícios de resistência. Consiste em numerosas espécies da família Araliaceae, com diferentes subespécies. É formado por compostos bioativos, vitaminas (A, B, C e E), minerais (ferro, magnésio, potássio e fósforo), fibras, proteínas, saponinas e Ginsenosídeos, os principais componentes ativos das ervas Panax. Este componente demonstrou, em diferentes estudos, uma potente ação redutora do estresse mental, melhora da função imunológica e estabilização da pressão arterial.

Ainda, o Ginseng possui importantes propriedades antioxidantes, capazes de inibir a ligação da hidroxila na membrana celular e a peroxidação lipídica, facilitando a atividade mitocondrial durante o exercício. Os ginsenosídeos são considerados adaptogênicos e contribuem com a função cardiorrespiratória, reduzindo as concentrações de lactato sanguíneo e melhorando o desempenho físico.

Outro extrato que merece atenção é o Tribulus Terrestris (TTE). Segundo estudos científicos recentes, sua utilização como recurso ergogênico pode melhorar a produção de testosterona em homens saudáveis. Os autores descobriram que atletas treinados regularmente e levantadores de peso usavam a suplementação de TTE para aumentar a produção de hormônio luteinizante (LH) e para o crescimento muscular. Ao aumentar a testosterona, ocorre também uma redução da inflamação e do dano oxidativo no músculo.

Por fim, destaca-se a Capsicum Frutescens ou Capsicum Annuum como uma das especiarias mais utilizadas atualmente (pimenta-de-caiena). É uma importante fonte de capsaicina, um composto ativo que demonstra efeitos na melhora do desempenho durante treinamento de resistência. Ainda, comprovou-se que o uso de capsaicina pode induzir uma estimulação nervosa simpática e aumentar a oxidação lipídica em atletas corredores de longa distância, efeitos observados pelos pesquisadores da revisão citada.

Os atletas costumam recorrer a diferentes intervenções dietéticas, incluindo o uso de produtos naturais à base de ervas e plantas para evitar o risco de drogas sintéticas e potencializar os resultados esportivos de forma mais saudável. No entanto é necessário conscientizar-se sobre a prescrição desses complementos de forma segura e eficiente por parte dos profissionais de saúde.

REFERÊNCIAS

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