A dieta vegetariana, caracterizada pela abstenção de carnes e seus derivados, tem-se tornado mais difundida em todo o mundo todo. A escolha de se tornar vegetariano pode ser motivada por diversos fatores, de religiosos à sustentabilidade; por sua vez, estudos apontam que a adesão a esse estilo de vida pode auxiliar no tratamento e na prevenção de diversas doenças crônicas.

Pesquisadores analisaram 5 estudos observacionais e concluíram que populações com dietas baseadas no consumo de vegetais possuíam concentrações significativamente menores de triglicerídeos, LDL, colesterol e menores taxas de doenças coronarianas quando comparadas à população em geral. O estudo concluiu que a dieta vegetariana reduz a taxa de doenças coronarianas por diversos mecanismos, como menor ingestão de gordura saturada, maior remoção de colesterol devido à ligação das fibras solúveis aos ácidos biliares, aumento da resistência à oxidação do colesterol e inibição da formação de trombos em razão dos efeitos da isoflavona, presente na soja, entre outros.

Segundo estudos, o mecanismo por trás do efeito terapêutico da dieta vegetariana no tratamento da diabetes consiste na perda de peso, mudanças nos lipídios intramiocelulares, cujo acúmulo está fortemente associado com a resistência à insulina, redução da ingestão de gordura saturada e aumento da quantidade de fibras dietéticas ingeridas.

Como as dietas vegetarianas são associadas a um menor peso corporal e melhora na sensibilidade à insulina, pesquisadores testaram a eficácia dessa abordagem na administração do diabetes e observaram redução considerável no uso de medicação de pacientes que seguiram o plano alimentar.

Rica em frutas e vegetais, a dieta vegetariana fornece um bom aporte de compostos antioxidantes que auxiliam a reduzir a inflação crônica, associada ao estresse oxidativo e à produção de radicais livres, que podem danificar as moléculas de DNA e aumentar as chances de erros na replicação. 

Além disso, com uma dieta restrita em proteína proveniente da carne animal, os vegetarianos tendem a aumentar o consumo de outras fontes proteicas, como a soja, rica em isoflavonas. Esses compostos tiveram seus efeitos anticarcinogênicos testados por pesquisadores, que relatam a inibição da angiogênese, diminuição do crescimento celular e efeitos antiproliferativos e proapoptóticos, tornando a isoflavona um composto interessante no combate ao câncer.

Ainda muitas pesquisas têm surgido, nas últimas décadas, relacionando o consumo de carnes e proteína animal à maior incidência de câncer. A declaração da Organização Mundial de Saúde (OMS), de outubro de 2015, é um dos documentos mais importantes já feitos, em que, a partir da análise de 800 estudos, executada por 22 especialistas de 10 países e publicada na The Lancet Oncology, classificou o consumo de carne processada como “cancerígeno para os seres humanos” (Grupo 1), com base em evidências suficientes para o câncer colorretal e associação positiva para o câncer de estômago. A carne vermelha foi classificada como “provavelmente cancerígena para os seres humanos” (Grupo 2A) e o consumo de carnes vermelhas, também, foi positivamente associado ao câncer pancreático e ao de próstata. Ao fazer essa avaliação, a OMS levou em consideração todos os dados relevantes e substanciais que apresentam associação positiva entre o consumo de carne vermelha e o câncer colorretal.

De acordo com os estudos abordados, retirar a carne e derivados da dieta e aumentar o consumo de frutas, vegetais e leguminosas demonstrou ser uma abordagem interessante para melhora de fatores que predispõem as doenças crônicas mais comuns na atualidade. Entretanto é importante ressaltar que é necessário o acompanhamento profissional ao realizar essa transição para evitar a deficiência de nutrientes essenciais.

 

 


Referência

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