A corrida de rua é a modalidade esportiva que mais cresce no Brasil, assim, ganhando adeptos de todas as idades e classes sociais. Esse crescimento deve-se ao fato de a corrida ser um esporte democrático, praticado em qualquer ambiente e sem a necessidade de equipamentos específicos.

À medida que aumentam as participações em corridas de rua, observa-se um aumento proporcional no número de lesões, seja em atletas profissionais ou amadores.

Diversos estudos apontam que as lesões mais comuns são a síndrome femoropatelar e as tendinopatias. O joelho, por sua vez, é a região mais acometida em razão do grande impacto nos membros inferiores, que pode variar de um meio a três vezes o peso corporal do indivíduo.

Alterações musculoesqueléticas ‒ incluindo fraturas, luxações, distensões musculares e entorses ‒ são queixas frequentes de corredores de rua em sua totalidade. Os fatores associados envolvem erros de técnica, alongamento e aquecimentos insuficientes e falta de acompanhamento.

Quanto às lesões musculares, sabe-se que a prática rotineira de exercício estimula o desenvolvimento de musculatura específica que, durante o treinamento muscular, pode gerar desequilíbrios das forças que envolvem as articulações, provocando alterações mecânicas e posturais, assim, predispondo os atletas a lesões e a quedas de rendimento.

Em estudo de Rodrigues et al. (2017), avaliou-se a influência do treinamento semanal sobre a incidência de lesões em corredores de rua e o quanto o treinamento resistido contribui para a minimização dessas. Foram aplicados questionários na forma de entrevista em uma amostra de 123 corredores de rua, entre 18 e 69 anos, prestes a realizarem uma prova. As questões referiam-se à distância a ser percorrida na prova e à distância corrida na semana, à ocorrência de lesões nos últimos 12 meses e à prática de exercícios resistidos durante o treinamento.

Os autores observaram que 21,95% do total de atletas tinham sofrido lesões nos últimos 12 meses de treinamento, e que 59,36% não realizavam exercícios resistidos.

A literatura ressalta que este tipo de treino contribui para a redução de lesões em corredores; desse modo, os resultados do presente estudo corroboram isso. Entre os corredores que afirmaram praticar exercícios resistidos, apenas 16% apresentaram algum tipo de lesão em comparação a 26% dos atletas que relataram não praticar.

Oliveira et al. (2012), também, avaliaram a prevalência de lesões e o local atingido em corredores de rua (n=77) em estudo tipo transversal. Conforme já observado na literatura, a região mais atingida foi o joelho, seguida pela parte posterior da perna.

As lesões musculoesqueléticas apresentam causa multifatorial, sendo importante que a prescrição de treino seja realizada por profissional especializado e considerando o nível do corredor. Além disso, é essencial evitar o aumento brusco da carga semanal, pois isso contribui para o aumento do risco de lesões.

 


REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, D.G. et al. Prevalência de lesões e tipo de treinamento de atletas amadores de corrida de rua. Corpus et Scientia, v. 8, n. 1, p. 51-9, jun. 2012.

RIOS, E.T. et al. Influência do volume semanal e do treinamento resistido sobre a incidência de lesão em corredores de rua. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, v. 11, n. 64, p. 104-9, jan. 2017.

SARAGIOTTO, B.T. et al. Desequilíbrio muscular dos flexores e extensores do joelho associado ao surgimento de lesão musculoesquelética relacionada à corrida: um estudo de coorte prospectivo. Revista Brasileira de Ciências do Esporte, v. 38, n. 1, p. 64-8. 2016.

SOUZA, C.D.L. et al. Fatores de risco e prevenção das lesões musculoesqueléticas em praticantes de corrida. Revisão de literatura. Lecturas: Educación física y deportes, v. 20, n. 207, ago. 2015.

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